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10 MITOS QUE PREJUDICAM A CENA GÓTICA BRASILEIRA

June 3, 2018

 

 

10 MITOS E PRECONCEITOS QUE PREJUDICAM A CENA GÓTICA BRASILEIRA 

 

“Existe uma economia dos bens culturais, mas ela tem uma lógica própria... A hierarquia socialmente reconhecida das artes - e dentro de cada uma delas, dos gêneros, das escolas ou períodos- corresponde uma hierarquia dos consumidores. Isso pedispõe gostos a funcionarem como marcadores de “classe”.”

(Pierre Bordieu, “Distinction”)

 

Os conceitos e ideias de “cena underground” e os 10 mitos que aqui descrevemos são dinossauros discursivos que herdamos do século passado. Talvez entre os anos 1950 e 1980 essas ideias fossem funcionais, mas no contexto do século XXI elas se tornaram autodestrutivas e conservadoras.

 

Essas ideias funcionam em conjunto, formando um sistema ideológico em que uma parte sustenta a outra, em uma rede que nos aprisiona sempre nos mesmos problemas e nos deixa sem saída. É preciso romper essa rede discursiva como um todo ou os problemas seguirão sem solução. 

 

Os problemas da cena gótica brasileira não são apenas econômicos ou socioculturais típicos do Brasil e América do Sul em geral, senão:


a) não teríamos cenas alternativas de outros estilos com melhores resultados que a gótica/darkwave;

 

b) ou então não teríamos tido dentro dos últimos 30 anos, em que o Brasil esteve pior economicamente, vários períodos com melhores resultados.
  

Além dos problemas do Brasil, temos problemas específicos da cena gótica brasileira. Temos que parar de nos iludir: resolver os problemas do Brasil não resolverá os problemas da cena Gótica/Darkwave brasileira.

 

Nossos problemas são mais de mentalidade: repetimos vários discursos, ideias e mitos autodestrutivos. Na maior parte dos casos não por maldade: apenas por não perceber o contexto histórico que mudou.

 

Boa parte das discussões sobre as subculturas ou culturas alternativas – especialmente a gótica- no Brasil, são apenas disfarces para outras discussões que quase nunca vem à tona, mas são percebidas por todos: existe uma clara segregação - entre classes sociais e de outros tipos- disfarçada por uma série de desculpas como música e estilo, que escondem conflitos mais profundos e menos “bonitos de se ver”.

 

Esses preconceitos e mitos afastam boa parte das pessoas que se identificam com a subcultura gótica e a procuram.

 

Como chegamos a isso e como podemos sair desse círculo vicioso?

 

Vamos analisar 10 destes mitos que estão, de várias formas, relacionados. Há outros problemas e mitos, mas só estes 10 já são um bom ponto de partida.    

 
Quais são estes mitos? Vejamos (clique no título de cada mito para ler o texto respectivo):


-   MITO 1: “SÓ GENTE BONITA E DESCOLADA” 

 

-   MITO 2: “SÓ POUCOS ENTENDEM O QUE É BOM”    

 

-   MITO 3: “ANTIGAMENTE O PESSOAL MANJAVA MAIS DE MÚSICA” 

 

-   MITO 4: “QUEM USA VISUAL NÃO SABE NADA DE MÚSICA”


-   MITO 5: “GÓTICO É TUDO VIADO, LÉSBICA OU PUT@”


-   MITO 6: “TEM QUE FAZER ALGO NA CENA” OU “FAZER PELA CENA”


-   MITO 7: “NÃO TEMOS DINHEIRO, SOMOS POBRES...”

 

-   MITO 8: “SE FAZ SUCESSO NÃO É BOM, SE DÁ LUCRO É DO DEMO...”

 

-   MITO 9: “A CENA BLÁ, BLÁ, BLÁ...”

 

-   MITO 10: “O VERDADEIRO GÓTICO É SÓ O ESTILO DOS ANOS 80”

 

DESMITANDO: MODELO EXCLUSÃO X MODELO DE INCLUSÃO: 

 

Em uma cultura, muitas pessoas são próximas e outras são amigas, mas a maioria nem se conhece pessoalmente ou nunca vai se encontrar. Isso porque uma cultura ou subcultura não tem dono e não tem como ter “grupo de controle de acesso”. Cultura não tem porteiro. Já comentamos mais sobre isso em outro texto, “Carta aos Neófitos”.

 

Esta diferença é essencial para a dissolução desses mitos prejudiciais: “...as pessoas vêem a subcultura gótica e seu desenvolvimento de duas formas principais: o modelo de seita ou elite, e o modelo cultural ou subcultural:

1- O modelo de exclusão – que criticamos aqui- é o modelo de seita secreta ou elite alternativa. Esse modelo de relacionamento pode ser visto também em grupos especiais do exército, no mundo acadêmico ou em grandes empresas. Seitas e elites buscam de toda forma garantir que o grupo mantenha um número reduzido de integrantes, pois isso garante o status elevado dos “poucos conhecedores”. Se isso pode fazer sentido em grupos que envolve treinamentos seletivos, não faz sentido nenhum quando falamos de culturas. Grupos deste tipo desenvolvem sempre uma forte polícia de controle que fiscaliza a entrada de novos membros com estratégias de seleção, punição e/ou ridicularização. Claro que o novo integrante aceita esses rituais de passagem com a perspectiva de ganho de status futuro e poder se tornar um novo sádico ou fiscalizador da entrada dos novatos.

2- O modelo de inclusão - é o cultural ou subcultural. Nesse o status pessoal vem da participação construção de um grupo social com características específicas, e quanto maior seu desenvolvimento em qualidade e quantidade, melhor. Quanto mais bandas, mais e melhores eventos, mais lojas, mais pessoas, melhor. Nesse caso você não é “grande” por ser único ou parte de uma pequena elite, mas porque você faz parte de algo diferente, grande e especial. Nesse modelo a recepção de novos integrantes é de formação e integração.Se queremos no futuro ter algo vagamente parecido com o que vemos nos diversos modelos de festivais góticos da Europa (seja Witby, WGT, EntreMuralhas, M’Era Luna, etc) e EUA, ou desde já ter uma vivência gótica minimamente saudável, o modelo que faz sentido é o segundo.” A ética de “raridade” ou “exclusividade” pode gerar micro nichos culturais de elite, mas impede um desenvolvimento maior e sustentável que só é viável no modelo de inclusão. Por fim, a vantagem é dupla: o modelo de inclusão pode conter uma especialização ou mercado de raridades se este mercado for separado de um discurso de elite ou exclusão característicos tanto de elites sócio econômicas quanto de grupos undergrounds tradicionais (mesmo desprovidos de poder econômico, estes últimos usam a mesma estrutura e lógica).

Dito de outra forma: se há desenvolvimento e inclusão, as especializações e subgrupos se desenvolvem também com mais vigor. Porém se há a tentativa de manter um modelo de elite ou policiamento cultural, todos ficam com nada ou pouco.

CONCLUSÃO:

Os conceitos e ideias de “cena underground” e os 10 mitos que aqui descrevemos são dinossauros discursivos que herdamos do século passado. Talvez entre os anos 1950 e 1980 essas idéias fossem funcionais, mas no contexto do século XXI elas se tornaram auto-destrutivas e conservadoras.

Em uma época de relações online constante, as formas de vivência coletiva e compartilhamento cultural mudaram radicalmente em relação ao anos 1980. Até em relação aos 1990. O modelos atuais de opressão também mudaram, e usar métodos de resistência e discursos que eram adequados a um modelo que não existe não tem sentido.

Então, amigo gótico/a, pare de prejudicar a população gótica local, suas bandas, selos, DJs, lojas, artesãos, costureiras, shows e festas locais: pare de reproduzir esses 10 mitos.

Mudar o discurso e parar de reproduzir frases feitas do século passado é só o primeiro passo, mas é o mais importante, sem o qual os outros serão sempre inviabilizados.

H. A. Kipper, 2018

Nota: Aprofundamos essas questões de mercado, mídia alternativa e as diferenças das subculturas no século XXI no livro Happy House in a Black Planet VOL 2.  Você pode baixar os 2 livros "Happy House in a Black Planet: Introdução à subcultura Gótica" Vol 1 e Vol 2 aqui.

 

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Vamos observar um por um:

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