7. O TEMPO & O RITMO NA ECONOMIA SUBCULTURAL


7. O TEMPO & O RITMO NA ECONOMIA SUBCULTURAL (páginas 117 a 123 do livro "A Happy House in a Black Planet 2", você pode baixar o livro completo AQUI) “A velocidade é a velhice do mundo... carregados por sua violência, nós não vamos a lugar algum, nós nos contentamos de partir e nos separar do vivo em proveito do vazio da rapidez” (Paulo Virilo, 1977, Vitesse et Politique)


A ideia de underground foi desenvolvida no século passado como resistência ou alternativa a outro modelo de sociedade. Sua transposição para nosso século traz inúmeras inadequações, pois as relações sociais são diferentes hoje.

Mas outro nó dessa questão é a relação entre arte e economia. A forma de mercado dominante do mundo hoje é o consumismo de massa e descarte, em que as pessoas consomem as atualizações, não mais produtos. Isso exige uma aceleração da realidade. O mercado atual incorporou a ideia de mudança dentro de seu modelo conservador e, pela primeira vez na história, a ideia de mudança constante serve ao status quo.

O florescimento de subculturas desde a popularização da internet se deve ao fato desta ter permitido uma mídia quase gratuita e uma forma de pessoas com interesses culturais semelhantes se encontrarem e se reforçarem mutuamente contra a pressão da cultura hegemônica global por homogeneização, que busca nos convencer que não devemos nos rotular e não ter identidades para sermos um consumidor adequado ao modelo acelerante de consumismo e descarte.

Assim, a velocidade e a mudança compulsória são hoje a essência da homogenização cultural global: ela só pode existir em uma sociedade individualista, mas sem individuação, ou seja, de egoísmo sem identidade. Nessa realidade o indivíduo é obrigado a aceitar se tornar qualquer coisa para ser aceito em um mercado de trabalho e social muito mais violento do que na segunda metade do século XX.

Esse é um modelo socioeconômico muito diferentes daquele que as primeiras subculturas encontraram: no passado, o modelo econômico era baseado em identidades fixas e imutáveis (tanto que mudança, no passado, era sinal de rebeldia, hoje é algo exigido nos currículos pessoais pelas empresas). MICRO MÍDIA E MICRO COMÉRCIO A SERVIÇO DAS SUBCULTURAS:

A internet também permitiu um desenvolvimento de um microcomércio subcultural, com padrões e ritmo diferentes das empresas reguladas pelo modelo de consumo/descarte.

Essa microeconomia subcultural se parece mais com a economia das antigas culturas integradas, em que as trocas econômicas eram apenas uma esfera que servia, como as outras esferas de conhecimento (artes, mitologia