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GLAM ROCK: Dandies in the Underworld

O Glam Rock (aproximadamente 1970-1976) foi um movimento que é essencial para entender as dinâmicas das tendências que surgiram paralelamente ou depois, tendo influenciado tanto o Gótico, o Punk, os New Romantics, a New Wave, estilos Indie e outros movimentos posteriores.


Algumas características da Subcultura Gótica chegaram até nós através sa subcultura Glam, como por exemplo: - o Dandismo - a construção de personagens e a atitude teatral (Oscar Wilde + Baudelaire + Romantismo) - a incorporação de elementos femininos no visual e no comportamento masculino, - o decadentismo e a temática da cabaret culture (referente a Cultura de Weymar)- Influências musicais diversas sobre as principais bandas Góticas e Synth desde os anos 1970 - disrupção dos papeis de gênero Período: aproximadamente 1970-1975, influenciando diretamente artistas posteriores. Artistas ingleses como David Bowie, Bryan Ferry e Roxy Music, Brian Eno, Marc Bolan e T-Rex, Gary Glitter e outros caracterizam o estilo com auge entre 1971 e 1975. Nos EUA Lou Reed, New York Dolls e Iggy Pop foram caracterizados como glam rock ou glitter rock nesse período.


Como definir o Glam? Vamos ler o conceito de Simon Reynolds, bastante esclarecedor:


“O que faz a glamour do Glam diferente da apelação chamativa padrão da música pop? Afinal, vários graus de elegância, encenação e espetáculo coreografado são características centrais no pop particularmente e no showbiz no geral. Mas uma diferença crucial é a absoluta autoconsciência com que os artistas Glam abraçaram aspectos como indumentária, teatralidade e o uso de adereços, que frequentemente tenderam mais a uma paródia do glamour do que à sua adoção sincera. O Glam rock chamava a atenção sobre si mesmo como falso (fake). Os performers glam rockers eram despóticos, dominando o público, (como todo verdadeiro entertainer do showbiz faz). Mas eles também se engajavam em uma auto-desconstrução satírica de sua própria personagem e poses, satirizando a absurdidade da performance. Glam rock também chamava atenção para o seu glamour porque estava reagindo contra o que viera antes. O “unglam” rock, do rock “super maduro” e com visuais despojados de 1968-1970 (...).”

(fonte: Shock and Awe: Glam Rock and Its Legacy, from the Seventies to the Twenty-first Century- Simon Reynolds)


Esssa definição do glam é importante para entender as dinâmicas posteriores até hoje, mesmo em subculturas influenciadas por ele ou mesmo aquelas que se definem por se opor a esse conceito.


CAMP? Em outras palavras, podemos dizer que o glam era “camp”, ou “high-camp”* (leia aqui a definição do conceito artístico de Camp). E um histórico completo em Inglês aqui. Oscar Wilde comentou o fato de “o ser humano ser mais verdadeiro quando usa uma máscara”. Patrice Bollon desenvolveu a questão da máscara em seu livro “A Moral Da Máscara”. Os vários personagens que Bowie encarnou em sua fase glam são um bom exemplo disso, assim como os personagens criados pelos New Romantics a partir de 1978 e outros posteriormente. (Leia matéria completa sobre os New Romantics, por Sana Skull, na Gothic Station 3, aqui)


DO GLAM AO GÓTICO: A influência no Gótico era tanta que a crítica musical chegou ao ponto de acusar o Bauhaus no início da carreira de ser uma cópia barata da fase Glam de Bowie: em resposta a banda lançou, ironicamente, um single com um cover idêntico da música Ziggy Stardust de Bowie, com a capa misturando símbolo do Bauhaus com o raio de Ziggy Stardust. O lado B desse single trazia outra cover de mais um ícone Glam: a faixa Third Uncle, de Brian Eno. Misturado com elementos de literatura gótica via cinema B, o Glam foi também uma influência para Richard O'Brien, que escreveu um musical que estreou em Londres em 1973: The Rocky Horror Picture Show, cuja versão em filme (com a maioria dos mesmos protagonistas da versão teatral) foi um grande sucesso em 1975, se tornando cult e influente em tendências da moda e subculturas posteriores. Esse sucesso seguiu na esteira da tendência criada por outro musical mais antigo que virou filme em 1972: Cabaret, também influente nas nascentes subculturas do final da década de 1970 (10). O decadentismo gótico camp e citações à república de Weimar pré-Nazista, seus cabarets e licenciosidade estavam na moda no final dos anos 70. O “Reich” de Margaret Thatcher e Ronald Reagan estava prestes a começar e o Vampiro Nosferatu de Herzog surge nas telas em 1979... (Leia mais sobre esses 3 filmes e outros relacionados na seção de cinema das revistas Gothic Station 1 e 3, que você pode acessar gratuitamente aqui)


Ouça online Nossa Playlist Glam Rock (tanto da época 1970-1976 quanto bandas posteriores influenciadas)



SUBCULTURAS QUE INFLUENCIARAM A SUBCULTURA GÓTICA


Como Catherine Spooner comenta que a subcultura Gótica é um caso único, que tem “duas pernas” de influências: as imediatas e uma anterior fundada na cultura universal, que é o conceito de Gótico (da literatura e cinema Góticos). Ambas as raízes convergem e se completam devido as características complementares e em comum, como veremos a seguir.


Mas quais subculturas influenciaram a subcultura Gótica? Principalmente a subcultura Glam (1970-1975 aprox.), e em grau diferente, a subcultura Beatnick (1950-1970 aprox.).  No aspecto musical, as influências são diversas como vemos nesse mapa de influências musicais, mas em geral se concentram no Glam-Rock, KrautRock, música ethno/ folk e o rock alternativo dos anos 60. Vamos ver as características dessas influências vindas dessas da subculturas Glam e Beatnick:


GLAM


Um divisor de águas entre as subculturas é conceito do artista como personagem em oposição a expressão do “eu natural”, um conceito precursores da modernidade como Baudelaire e Wilde propuseram em sua obra e teoria, e no Glam Rock vemos posto em prática com Bowie, Roxy Music, Eno, T-Rex  e outros artistas do “High Glam”.    É preciso diferenciar o high  glam do low glam, muito próximo do glam- “bublegum rock” como Slade, Sweet e bandas similares. Assim, as subculturas New Romantic e Gótica absorvem do glam todas suas características, inclusive musicais. 


Os seguidores de Bowie, Roxy Music, Cabaret, TRHPS música eclética e criativa etc se aproximam e formam a partir de 1978 os Blitz Kids e os Góticos. Nesse movimento a nova música de Bowie e o Synth derivado do Krautrock se tornam repertório comum entre 1978 e 1980. No caso da subcultura Gótica, os elementos conceituais do Glam vão se misturar com os conceitos da literatura e cinema Góticos. É fácil entender essa aproximação, pois tanto a literatura e cinema Góticos tem forte simbologia Queer, convergindo com as características Queer do Glam.    Leia artigo de Andrio Dos Santos sobre a tradição de simbologia e temática QUEER na LITERATURA GÓTICA


Enquanto isso o Punk pós 77 rejeita quase todas as características conceituais do Glam, absorvendo alguns elementos musicais apenas, principalmente do “low glam”:  o Punk desenvolve um discurso anti-fashion e anti glamour, uma lírica que abandona a poesia e o metafórico e desenvolve uma atitude anti-personagem, se aproximando e influenciando a música e subcultura metal e headbanger nos anos 80.


Outra subcultura importante e que influenciou diversas subculturas dos anos 70, trazendo alguns conceitos até nós, foi a subcultura Beatnick (aprox. 1950-1970). Sobre ela falaremos mais tarde em detalhe, agora vamos deixar só algumas características gerais : Características:


- existencialismo francês pela sua ética de liberdade, espontaneidade e recriação do eu


- jazz moderno, pelas mesmas razões (estilo aberto a improvisação e espontaneidade)


- poesia Beat, com as mesmas características acima.


- resgate de poetas malditos do simbolismo francês, e dos românticos e Walt Whitman


- culto de uma boemia intelectual e artística 


- uso do termo queer (não como na teoria Queer, que é posterior) na defesa de sexualidades alternativas


Período: aproximadamente 1950-1970, influenciando diretamente artistas como Lou Reed e The Velvet Underground, Patti Smith, Nico, Jim Morrison e The Doors, Andy Warhol e a sua Factory.


Literatura Beat essencial: Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.




H. A . Kipper


Fotos do período:

Brian Eno

Marc Bolan, do T-Rex

Lou Reed, circa 1973

David Bovie, no começo dos anos 1970


Formação original do Roxy Music: Brian Eno na extrema esquerda e Brian Ferry no centro.

New York Dolls

Dave Vanian, do The Damned, e Marc Bolan, do T-Rex. As duas bandas tocaram juntas em 1977, antes de Marc morrer em um acidente naquele ano. "Marc said “I picked The Damned to tour with me because I wanted to put the best of the established bands against the best of the new wave bands, so we’ll see who can out-punk the other every night” (source: interview with Phillip Crawley published in The Journal, March 18, 1977). In another interview he claimed that he picked The Damned to tour with them because Captain Sensible had the good taste to wear a T Rex t-shirt. Pictured: Marc w/ Dave Vanian of The Damned, 1977".

Siouxsie Sioux e Marc Bolan


Album de 1977 de Marc Bolan



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