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GÓTICOS EM CIDADES PEQUENAS OU SEM CENAS ALTERNATIVAS



“SMALL TOWN GOTH”: GÓTICOS EM CIDADES PEQUENAS OU SEM CENAS ALTERNATIVAS


(Capítulos do livro "A Happy House in a Black Planet VOL. 2, 2018, acesse aqui)


Hoje, mesmo isolado em uma cidade distante, você pode ter acesso a toda música, literatura, visuais, vídeos e interação social virtual que desejar e sua identificação com a subcultura gótica (ou qualquer outra) dependerá apenas de você.


Assim, a vivência presencial não é mais uma exigência para sua identificação subcultural. A vivência presencial é uma consequência opcional. Sem dúvida positiva e enriquecedora se você for do tipo de pessoa mais sociável, mas que não é obrigatória.


E entre as interações sociais há vários tipos, para todos os gostos: pic-nics, passeios, festas, baladas, festivais musicais, shows, saraus, compras em lojas especializadas em música ou visuais góticos, festivais de cinema etc.


Também, a interação online permite uma especialização subcultural. Se você se interessa apenas por temas relacionados à subcultura gótica, pode se concentrar nisso.


Assim, temos hoje uma população gótica espalhada, com alto nível de acesso a informação e interação social cotidiana virtual e afetiva. Parte dela tem interação presencial com periodicidade que varia de acordo com diversos fatores e outra parte não.


Entre os que tem participação presencial, essa varia de acordo com vários fatores: idade, condição econômica, trabalho, formação de família etc.


Contudo, ninguém jamais pensaria em avaliar a quantidade ou as características da população brasileira ou chinesa apenas por aqueles que “participam regularmente do carnaval ou vão a estádios” ou “aqueles que visitam shoppings regularmente”. Seria um grande erro e recorte estatístico. E nos daria informações parciais sobre a cultura brasileira ou chinesa.


Da mesma forma seria equivocado calcular a quantidade ou características da população gótica apenas pelas interações presenciais em determinados pontos geográficos.

Podemos, então, pensar em uma cena translocal, com polos de concentração periódica em locais específicos, em que parte da população gótica se encontra. Entretanto, muitos góticos não tem interação presencial e isso não muda seu nível de identificação cultural.


A diferença em relação ao século passado é que a quantidade da interação presencial não é a base de definição cultural. Aliás, como nunca foi: grande parte das pessoas interagindo presencialmente no passado não se identificavam com a subcultura gótica ou simplesmente não se identificaram a longo prazo.


A participação diária virtual ou translocal tende a reforçar a participação a longo prazo.


Outra boa notícia é que não há mais locais específicos para ser aceito ou não. Sua identidade depende de sua identificação afetiva e cultural. E isso depende só de você, não depende de local, tempo, idade, geografia ou de qualquer outra pessoa.


Isso não significa que “qualquer coisa seja Gótico”, mas significa que qualquer um, em qualquer lugar, pode ser Gótico.


TRANSLOCALIDADE X PROXEMIA NO SÉCULO XXI


A ideia de proxemia ou relações proxêmicas (Edward T. Hall, 1977, 1966) concebia que a proximidade física entre as pessoas em zonas urbanas determinava o tipo de relação e de comunicação entre elas, tanto em termos de poder quanto relações afetivas e políticas. Esse conceito se relaciona ainda à ideia de tribo urbana.


Não é preciso dizer que o advento das relações virtuais e redes sociais no final do século passado faz com que esses conceitos precisem ser reavaliados em face das novas realidades de grupos sociais translocais.


Mas se a geração pós internet não tem informação apenas via mídia de massa como no passado, tem várias outras vantagens.


Desde o final dos anos 1990, o acesso direto a informação permitiu o desenvolvimento de comunidades translocais ou glocais (aquilo que é global e local ao mesmo tempo) ou mesmo dispersas geograficamente. Simplesmente o local geográfico em que você está não importa mais.


A Internet trouxe também a ética do compartilhamento. Se anteriormente havia a ética da competição e acúmulo por informação exclusiva ou rara, hoje temos a ética de quem compartilha mais.


Paralelamente, as comunidades online permitiram a especialização: comunidades góticas acabam agregando cada vez mais góticos e, cada vez, mais se especializando em todos os seus aspectos.


A ideia geográfica de “cena” perde o sentido a menos que nos refiramos a algum lugar específico. Mas faz sentido falar em “góticos de São Paulo” ou “góticos de Belo Horizonte” se todos estão em contato diariamente?


Hoje você pode ser um gótico isolado em uma cidade sem outros góticos e talvez tenha mais identificação e conhecimento sobre a subcultura gótica do que alguém que frequente uma festa em uma grande cidade e não tenha outro interesse além de sair com os amigos (o que também é muito bom e saudável, mas existe desde que o mundo é mundo e não é um comportamento alternativo ou subcultural em si).


O interesse e identificação subcultural inclui esses comportamentos, mas vai além.


O CONHECIMENTO “DESLOCALIZADO”


Qual a semelhança entre bibliotecas, shows de bandas autorais e baladas alternativas? No século passado, eram o único caminho para conhecer algo novo.


Porém, hoje conhecemos coisas novas via internet e em um universo de informações muito maior e diversificado do que no século XX.


Não estamos mais presos ao nosso universo local de conhecimento. Acessamos o local e o global “aqui” e “agora”.


Ainda existem bibliotecas, shows locais e eventos alternativos, mas só vamos a eles depois que já conhecemos muita coisa e depois que selecionamos o que nos interessa desse oceano de informações.


Hoje posso ouvir ou baixar a maioria dos livros e músicas online, em meu computador ou smartphone, sem depender de ninguém. O mesmo que acontece com filmes e séries. Fico conhecendo pessoas, estilos e sua história acessando redes sociais alternativas. E posso fazer isso através do conceito ou palavra, não através de pessoas e locais físicos.


Por isso, ficamos cada dia mais exigentes com o acesso às novidades do mundo inteiro como se estivéssemos lá. Aliás “lá” e “aqui” deixam de fazer sentido.


A atividade presencial ficou hoje mais destinada à diversão e celebração pura daquilo que já se conhece virtualmente. Incluindo, aliás, os amigos virtuais.


A interação social subcultural também não depende apenas de festas ou “rolês” para seu início, como acontecia no passado. Hoje se inicia em redes sociais, com uma quantidade de informação muitas vezes superior ao que acontecia no passado.


Isso permite que pessoas em cidades sem cenas alternativas ou isoladas de suas cenas locais desenvolvam vinculação subcultural de forma consistente e duradoura. Depois, se e quando vão desfrutar de ambientes subculturais físicos e presenciais, já têm um nível alto de identificação pessoal com os repertórios e códigos culturais.


Assim, da mesma forma que as bibliotecas, shows e baladas deixaram de ser o local inicial único de acesso a informação e de interação social. Hoje procuramos e selecionamos o novo individualmente antes e depois buscamos os lugares físicos para desfrutar esse novo.


No futuro continuaremos a frequentar bibliotecas, shows e baladas, comprar livros e CDs ou ir ao cinema, mas pelos principais motivos pelos quais continuamos em contato com algo sem nenhuma obrigação: porque nos dá prazer e faz sentido para nós.


Mas não vamos mais a esses lugares para conhecer o novo. O novo já conhecemos e selecionamos antes, online.

(Capítulos do livro "A Happy House in a Black Planet VOL. 2, 2018, acesse livro completo aqui)


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