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henriquekipper
13 de jan. de 2022
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henriquekipper
13 de jan. de 2022
In SUGESTÕES E DÚVIDAS
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henriquekipper
20 de set. de 2019
In SUBCULTURA GÓTICA
BAIXE GRÁTIS no Link abaixo os PDFs da 4 edições da revista GOTHIC STATION e também do 2 Volumes do livro HAPPY HOUSE IN A BLACK PLANET- Uma Introdução à Subcultura Gótica. https://www.gothicstation.com.br/download
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In MÚSICA
https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/10/29/CRONOLOGIA-DO-USO-SUBCULTURAL-DO-TERMO-G%C3%93TICO CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO" October 29, 2018 | H. A.Kipper 18- CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO" (desde os anos 1970 e na imprensa Inglesa): do livro: "A Happy House in a Black Planet: Introdução à Subcultura Gótica (2008, capítulo 18) Importante: esse texto é apenas sobre o uso do nome na cultura rock musical. Fora disso os conceitos de góticos já faziam parte da cultura geral, erudita e pop, e por isso puderam ser facilmente incorporados para formar o repertório simbólico da subcultura gótica. Falamos da história da palavra gótico em outro capítulo. 18- CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO" Aqui falaremos apenas sobre o uso do termo "GOTH" (Gótico) aplicado inicialmente a um estilo musical e depois à subcultura de mesmo nome, nos últimos 40 anos. 1967: em um artigo chamado "Four Doors to The Future: Gothic Rock is Their Thing", John Stickney define a banda The Doorscomo "Gothic Rock". Curiosamente a descrição das características "góticas" da banda nesse texto coincide com o que seria definido como Gótico dez a quinze anos depois. Essa referência é citada no site Scathe e aceita como fonte nos livros Goth Bible e Goth Chic. Não é possível confirmar se esta citação influenciou outras citações posteriores, mas algo facilmente observável é a influência da banda The Doors já sobre a primeira geracão de bandas Góticas, tanto nas letras, vocais, estilo, quanto nos covers. Citações nos anos 70 parecem comprovar que esta influência era um lugar comum (ver citação de Kent em 29/7/1978, alguns itens abaixo). 1972:  Não é sobre a palavra, mas sobre o clima dos anos 70: Em 1972 é lançado o filme "Cabaret", com Liza Minelli, baseado na obra "GoodBye Berlim" de Chistopher Isherwood, sobre os cabarets e a "divina decadência" da Berlim dos anos 1930. Patrice Bollon em "A Moral Da Máscara" relata que este filme teria gerado uma moda em Londres que influenciou o Bromley Contingent, do qual emergiram várias pessoas que se tornaram referência no pos-punk e no Gótico. Os mais conhecidos são Siouxsie Sioux e Steven Severin, da banda Siouxsie and The Banshees.   1972-1974: "Diamond Dogs" - Em 1974 David Bowie em uma entrevista a respeito do seu álbum "Diamond Dogs" teria comentado que este era "gótico" no estilo (citado pelo DJ inglês Deacon Syth no livro "Goth Bible" de Nancy Kilpatrick e em outros livros sobre música). Podemos encontrar neste álbum elementos que foram adotados por punks e góticos. No figurino de sua tournée de 1972, encontramos o uso de meias arrastão como camisa e as maquiagens expressionistas dos performers do show. "Diamond Dogs" é baseado nas distopias dos livros "1984" de George Orwell , na ficção científica "A Boy and His Dog" de Harlan Ellison e em The Wild Boys de William Burroughs. Algumas canções, como "the evercicling dance of the skeletal family" e outras, falam de uma "Metrópolis" decadente e imunda habitada por seres de Halloween (halloween jack, etc) e personagens de Tod Browning (em "Diamond Dogs"). Tod Browning foi o cineasta que dirigiu Drácula, com Bela Lugosi (1931). A faixa "We are the Dead" é auto-explicativa, além de "1984" e "Big Brother". 1975: Depois do sucesso popular da peça musical nos anos anteriores, em 1975 é lançado o filme "The Rocky Horror Picture Show", no qual o Glam-Rock encontra a "Família Addams" (e seu pastiche de estilo Gótico ) em um filme de terror B dos anos 50. Neste filme vemos todos os elemento da literatura gótica misturados com a estética e música glam que seria chamado de gótico por nós até hoje.     29/7/1978: Nick Kent na revista NME diz de Siouxsie: "Paralelos e comparações podem ser agora traçadas com arquitetos do gothic rock como The Doors e, certamente, Velvet Underground do começo". Siouxsie and The Banshees lançaram em 1978 seu álbum "The Scream". (fonte: scathe). 1979: Martin Hannett, empresário do Joy Division, descreve o álbum Closer do Joy Division como "Música dançante, com tonalidades góticas". 23/6/1979: Nick Kent chama o The Cramps de "American Gothick" em uma resenha da revista NME.   15/9/1979: No programa "Something Else" da BBC TV, Tony Wilson (produtor da banda) descreve o Joy Division como "Gótico comparado com o pop comercial". Na mesma entrevista Bernard Albrecht, guitarrista da banda, reforçou essa noção comparando a música da banda ao seu amor ao clássico filme expressionista Nosferatu (1922), dizendo: "a atmosfera (era) realmente maligna, mas você se sente confortável nela". 2/10/1979: Penny Kiley escreve em uma resenha "'Gótico se tornou uma definição algo supertrabalhada do gênero, mas o efeito do Joy Division é o mesmo (para pegar um exemplo óbvio) que dos Siouxsie and The Banshees". 1979: Bauhaus lança o single de "Bela Lugosi is Dead". As artes dos álbuns e material gráfico da banda trazem imagens de filmes expressionistas de temática gótica e do Drácula de Bela Lugosi. A temática estava na moda… Fev/1981: Em entrevista com Steve Keaton da Sounds, Abbo do UK Decay diz: "…nós estamos nesta coisa toda de Gótico"... 1981: Os comentários abaixo são tirados de "Siouxsie And The Banshees: The Authorised Biography", de Mark Paytress, e se referem especialmente ao álbum "Juju", lançado em 1981. Steve Severin (da banda Siouxsie and The Banshees): "Nós realmente descrevemos "Join Hands" (1979) como "gothic" na época do seu lançamento, mas os jornalistas não se prenderam muito a isso. Com certeza, naquela época nós estávamos lendo muito Edgar Allan Poe e escritores similares. Uma música como "Premature Burial" daquele álbum é certamente Gótica no sentido apropriado". 1982/começo de 1983: O clube Batcave é aberto em Londres. Ian Astbury (Southern Death Cult, The Cult) usa o termo "goths"para descrever os fans do Sex Gang Children, o que é divulgado pelo redator da NME, Stephen Dorrell.  "Goth" se torna finalmente aceito como um movimento de direito. Andi (do Sex Gang Children) relata a respeito da época: "- chamaram meu apartamento de Visigoth Towers pelas minhas costas como piada. Dois músicos que eu conhecia que viviam por perto - Ian Astbury and Billy Duffy (ambos dos primórdios Goth do Southern Death Cult) inventaram o apelido "Gothic Goblin" ou "Count Visigoth". Acho que alguém mencionou isso para um jornalista chamado Dave Dorrell, que então começou a divulgar o termo "Goth". Mas "Gothic" já vinha sendo usado por algum tempo (antes) para descrever vários estilos de música, especialmente Joy Division. Para mim, especialmente, o termo Gothic se refere a algo um pouco mais elaborado e clássico do que o Gótico comercial que temos visto." Out/1983: O jornalista Tom Vague se refere a "Hordes of Goths" na revista Zig Zag, (cujo diretor era Mick Mercer). Nessa época tanto o termo Gótico como a Subcultura relacionada já estavam estabelecidos... Anos depois de ter sido usado pela primeira vez, o termo se torna aceito e definido. Aparentemente o termo positive punk foi uma tentativa de alguns jornalistas de mudar o nome daquela tendência, por alguns meses (fevereiro/1983), mas o termo não pegou. Mick Mercer comentou: "As pessoas precisam se lembrar que Richard (Richard North da NME que divulgou o termo Positive Punk) não estava falando de nada mais que uma certa atitude de uma poucas bandas no seu artigo sobre o Positive Punk (aprox. Fev/1983) e ele não tinha intenções extras de proclamar um movimento. Ele ficou tão surpreso quanto qualquer um quando o artigo foi para a capa da revista…(..). Foram os subeditores, provavelmente em uma semana fraca, que inventaram tudo. Ele só estava interessado em procurar uma linha de pensamento Punk mais imaginativa, não um movimento." Em uma entrevista com Dave Thompson e Jo-Anne Green da revista Alternative Press em Novembro de 1994, Ian Astbury, o ex-vocalista do Southern Death Cult, declara que ele inventou o termo gótico:"O termo "goth" era um pouco uma piada, insiste Ian Astbury. "Um dos grupos que estava se destacando ao mesmo tempo que nós era o Sex Gang Children, e (o vocalista) Andi - costumava se vestir como um dos fans do Siouxsie and The Banshees, e eu costumava chamá-lo de "Gothic Goblin" porque ele é um cara pequeno e moreno. Ele gostava de Edith Piaf e essas músicas macabras, e ele vivia em um prédio em Brixton chamado "Visigoth Towers". Assim, ele era o "Gothic Goblin", e seus seguidores eram os "Goths". Daí que o Gótico veio." Todavia, devido aos outros usos anteriores ou similares fica difícil considerar este o primeiro uso. 1983: Marc Almond (Soft Cell) relata sobre 1983: "a moda daquele ano era o gótico-roupas pretas, batom preto, renda preta, cabelo preto - você podia incluir qualquer coisa desde que fosse preta. Rostos pálidos, bijuterias imitando ossos, qualquer coisa que lembrasse morte estava na ordem do dia". Com o crescimento da cena, a imprensa inglesa aceita o nome que se tornou popular: Goth. Ainda em 1983 é lançado o filme "Fome de Viver" com o Bauhaus tocando "Bela Lugosi is Dead" na abertura, em um clube noturno em que os vampiros representados por David Bowie e Catherine Deneuve vão para buscar suas vítimas… Talvez pela primeira vez no cinema os vampiros são representados de forma mais "sensível". Em 1984 o gótico já estava "fora de moda" para a imprensa comercial, mas se tornara algo muito maior que uma moda passageira…até hoje. Felizmente, no mundo real, as coisas não desaparecem quando a imprensa comercial deixa de falar delas… DESENVOLVIMENTOS POSTERIORES: Aqui comentamos sobre o termo gótico na primeira geração do Gótico (1978-1983). Sobre os desenvolvimentos posteriores nos aprofundaremos em outra oportunidade. Mas a seguir algumas linhas gerais: Na Alemanha, desde a virada dos anos 80 para os anos 90, floresceu uma cena "Darkwave-Goth" com o movimento "Neue Deutsche Todeskunst" e com uma imprensa própria especializada tanto na área musical como comportamental. Também existe na Alemanha desde 1992 o maior festival mundial de música Gótica que cresce a cada ano, o Wave Gotik Treffen. Temos desenvolvimentos igualmente importantes em outros países da Europa, e surgimento de novas tendências internas da subcultura gótica global.  Também nos Estados Unidos, onde tanto o lado mais Deathrock quanto o mais Darkwave e Ethereal, ou a mistura com Industrial, florescem até hoje associados a subcultura Gótica, como as bandas ligadas ao selo Projekt. Da mesma forma que a Europa, os EUA também possuem selos importantes lançando artistas de qualidade desde o Gothic-Rock, DeathRock, Ethereal, Synth-Goth, Electro-Goth, Industrial, etc, que representam muito bem a tradição Gótica.  Tanto nos EUA como na Europa e até no Brasil novas bandas com novas sonoridades continuam surgindo durante os anos 90 e até hoje. Importante lembrar sempre que cada continente ou mesmo país usa rótulos ligeiramente diferentes para as mesmas bandas, ou usa um mesmo rótulo em sentido diferente. Comentamos mais essa questão no capítulo 13- Glossário de Estilos Musicais. do livro: "A Happy House in a Black Planet: Introdução à Subcultura Gótica (2008, capítulo 18). H. A. Kipper 
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In MÚSICA
Você pode ler e ouvir aqui AQUI: https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/09/29/GERA%C3%87%C3%95ES-DE-M%C3%9ASICA-G%C3%93TICA
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In MÚSICA
Leia texto completo: https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/08/19/DE-ONDE-VEIO-A-TRADI%C3%87%C3%83O-MUSICAL-DA-CENA-G%C3%93TICA STATION TO STATION: LINHAS DE DESENVOLVIMENTO DOS ESTILOS MUSICAIS TRADICIONAIS NA CENA GÓTICA / DARKWAVE: 📷 Representamos o átomo com a conhecida forma de esferas pequenas circulando um núcleo maior, mesmo sabendo que isso está longe da realidade, que é algo mais próximo de ondas de energia que se misturam. Mas essa representação nos ajudou a fazer coisas incríveis com a energia nuclear. Aqui, desenhar as linhas musicais alternativas como linhas de metrô é algo muito parecido com aquele átomo: tentamos mostrar algo que se assemelha muito a linhas de energia em movimento. Como os átomos, bandas e estilos podem estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, se misturar, compartilhar...  Importante, assim, notar que a mesma banda pode misturar estilos na mesma época ou transitar entre estilos diferentes ao longo dos anos. Alguns itens abaixo não são estilos musicais, mas movimentos subculturais em que música foi importante, como é o caso da subculturas Beatnick e a Hippie, entre outras.  Ouça algumas das bandas que influenciaram a música gótica e darkwave. LINHA BEATNICK O movimento Beatnick começa virada dos anos 1940 para os 1950, fundado em filosofia existencialista, música jazz livre, boemia urbana obscura e, claro, a poesia e literatura de Allen Ginsberg, Jack Kerouac e William Burroughs.  The Doors e Velvet Underground, Nico e Andy Warhol, trouxeram algo novo para o universo do rock e da música alternativa. O estilo de poesia de suas letras, de imaginários explorados nos textos Beat tardios de Jim Morrisson e Lou Reed se tornam referências essenciais.  No final nos anos 60 parte dos beats se torna mais espiritual, político e colorido, se transformando nos Hippies. Outra parte segue urbana, simbolista e existencialista, evoluindo para o proto-punk norte americano e o núcleo ligado a Patty Smith. No período do meio dos anos 70 os artistas dos EUA se consideravam Punks. DICA DE LEITURA: Beat Punks, de Victor Bockris (1998/2016) LINHA ROCK’N’ROLL É fácil perceber a influência de rock tradicional dos anos 50 e 60, especialmente em bandas de gothic rock ou post-punk. A partir dos anos 70 o rock se subdivide em uma multidão de subestilos que não é nosso objetivo aqui aprofundar. De Elvis a Beatles e Rolling Stones, até Kinks, The Beach Boys e Animals no final dos anos 60, chegando a Doors e Velvet Underground na conexão...  LINHA ERUDITA EXPERIMENTAL O experimentalismo que chegou ao pop e ao underground nos anos 1970 e 80 começou antes em pesquisas de músicos eruditos. Após 1950 temos um maior desenvolvimento da música eletroacústica, a música eletrônica e concreta que se juntam ao serialismo. Dois nomes essenciais para entender essa evolução são o francês Pierre Boulez e o alemão Karlheinz Stockhausen. As experiências com fitas, loops e musica computacional começa com esses eruditos, e o questionamento de “o que é música” também. As experiências de Stockhausen e a popularização dos sintetizadores nos anos 1960 espalharam o experimentalismo que chegou ao pop e música alternativa. Membros da banda Kraftwerk estudaram com Stockhausen no final dos anos 60. Aqui chegamos à estação Krautrock. KRAUTROCK STATION Krautrock é o nome que se dá ao experimentalismo no Rock alemão do final dos anos 60 e ao longo dos anos 70. Mistura rock, psicodelia, eletrônica experimental, música concreta, eletroacústica, minimalismo, proto-industrial, música erudita moderna, jazz e quase tudo que se possa imaginar… Influenciou tanto o post-punk quanto a música Industrial e as tendências eletrônicas, além do post-punk, a new wave, o synth e a EBM.  O próprio termo EBM (Electronic Body Music) é cunhado pelos membros o Kraftwerk em 1977, apesar de o estilo que conhecemos como EBM ter sua fundação oficial depois, especialmente com FRONT 242. Na mesma entrevista para a revista Sounds em 1977 é usado o termo “Coldwave” para bandas minimalistas como Kraftwerk. Todo o Synth é fortemente influenciado por Kraftwerk. EX: Kraftwerk, Can, Neu!, Tangerine Dream, Faust, Popol Vuh, Cluster, Amon Düül II, etc. PROTO PUNK STATION A partir de bandas do final dos anos 60 como MC5 e The Stooges (de Iggy Pop). O nome a partir de uma revista/zine do começo dos anos 70. Depois temos outra geração com grupos como Richard Hell and The Voidoids, Television, Patty Smith Group, Talking Heads, Blondie, Suicide, Père Ubu e The Ramones.  Mas esse punk norte-americano era bem mais variado, com temáticas poéticas e ao mesmo tempo agressivas, líricas e suaves intercaladas com arroubos sônicos. Diferente do que ficaria conhecido como punk a partir de 1976 com os ingleses do Sex Pistols: desenvolvido por Malcoln McLarem este "punk" tem uma temática mais extrospectiva e política. GLAM ROCK STATION O Glam-Rock existiu oficialmente de 1970 a 1975. O estilo se caracteriza por uma temática hedonista-decadentista, (algo que já víramos no Doors e no Velvet antes) androginia, e um rock básico com muito suingue. Mas também havia lugar para muito lirismo, folk, cabaret e poesia. Ex: T-Rex, New York Dolls, Iggy Pop (& Stooges), David Bowie, Lou Reed, Roxy Music, Sweet, Slade, Gary Glitter, etc.  Ícone do periodo, David Bowie também recriou o conceito do artista, que passa a viver personagens para melhor expressar seus ideais artísticos. A imagem da música passa a ser parte da obra de arte final.  O Glam-Rock influenciou diretamente o Punk, o Post Punk, New Romantics e Góticos, tanto na musicalidade como em suas temáticas e estética, sendo que muitas das primeiras bandas Góticas pareciam e soavam muito como bandas Glam-Rock, como o Bauhaus e o Specimen.  No período de 1970 a 1975 também a temática de cabaret decadentista está na moda com os musicais e filmes Cabaret e The Rocky Horror Picture Show. PUNK STATION O Punk é um termo polêmico. Muitos consideram o Proto-punk norte-americano como o verdadeiro punk, outros acham que aquele não era punk ainda e que tudo começa com os Pistols... Mais importante que tomar partido é entender as diferenças. Algo importante é que a ética DIY (Do It Yourself= Faça você mesmo) ajudou muita gente a sair da toca e criar música a partir do nada, nos mais diferentes estilos, desde o movimento Hippie até os anos 80. Isso vale para o Industrial também, e origens do eletrônico. Nos Estados Unidos temos a banda New York Dolls (1970-1974) e uma geração, ligada ao clube CBGB, que contava com grupos como Richard Hell and The Voidoids, Television, Patty Smith Group, Talking Heads, Blondie, Suicide e The Ramones. Isso tudo até 1976. Na Inglaterra, a geração 77 é famosa: Sex Pistols, The Clash e Damned, logo chutado pelos Pistols... mas aí já começa o post-punk.  DICA DE LEITURA: Mate-me por Favor (Uma História sem Censura do Punk), volumes 1 e 2, de Legs McNeil e Gillian McCain INDUSTRIAL STATION & LINHAS INDUSTRIAIS O termo "Industrial" teria sido sugerido pelo músico e performer Monte Cazazza: "música industrial para pessoas industriais". A ideia era uma "não música" que satirizasse o mundo. Após 1976, na Inglaterra, os mesmos conceitos eram desenvolvidos pelos pioneiros do Throbbing Gristle, do Cabaret Voltaire e do Clock DVA. Em 1980, surge o Einsturzende Neubauten. Com o tempo, algumas bandas vão mesclando o estilo com outros, e surge o Industrial-Rock, como o caso de bandas como Ministry, Young Gods, Die Krupps e Nine Inch Nails, mas inicialmente ainda guarda ligação com o estilo original. Muitos grupos transitam nas misturas Industrial/EBM, Synth-Pop/Electro ou EBM/Metal. Bandas importantes: Das Ich, Skinny Puppy, Front Line Assembly, The Young Gods, Ministry na sua fase até o começo dos anos 90.  Ao longo dos anos 90, se popularizou o chamado "Industrial", com muitos elementos de Metal, mas que não tem mais a experimentação do Industrial original. É, na verdade, o “Industrial-Metal”. DICA DE LEITURA: Industrial Evolution: Through the Eighties with Cabaret Voltaire, de Mick Fish  POST PUNK/ NEW WAVE CENTRAL STATION Aqui representamos o post-punk e new wave como uma grande estação central em que tudo se mistura, porque esse era o clima da época. Se a maioria das bandas góticas da época eram wave ou post-punk, o universo de bandas post-punk e new wave era (e é) muito, muito maior do que o gótico. Podemos listar como bandas post punk /new wave: PIL, Wire, The Smiths, Echo and the Bunnymen, U2, Killing Joke, Stranglers, Gang of Four, além das bandas do “proto-punk” norte americano que continuavam em atividade, e bandas que posteriormente evoluíram para uma sonoridade tipicamente góticas como The Cure, Siouxsie & The Banshees e Bauhaus. Já o Joy Division acaba em 1980 e seus membros formam o New Order. Mas já estamos indo para outras estações. LINHA DEATHROCK A linhagem norte americana se inicia nos anos 80 com Christian Death, Community FK, 45 Grave, Eva O, Heltir e Shadow Projekt. A linhagem britânica evolui simultaneamente com Alien Sex Fiend, Sex Gang Children, Specimen. No final dos anos 80 surge o Mephisto Walz. Depois do suicídio de Rozz Williams, precursor do estilo, em 1998, temos um revival do estilo com novas bandas que viram para o século XXI: Cinema Strange, Deadfly Ensemble, Bloody Dead And Sexy, Hatesex, etc.  LINHA POST PUNK/NEW WAVE/GOTHIC Aqui não temos todo o amplo leque do post-punk (já comentado acima como “POST PUNK/ NEW WAVE CENTRAL STATION”) mas apenas o recorte de bandas ligadas a cena gótica com influência desses estilos.  The Cure, Siouxsie and The Banshees, Joy Division, Ghost Dance, X-Mal, Love & Rockets, Ikon, The Shroud, Switchblade Symphony, Ikon, Faith and The Muse, Corpus Delicti, Diva Destruction, Frank The Baptist, Ego Likeness, The Beauty of Gemina, She Past Away, etc.  LINHA HARD GOTHIC ROCK Aqui temos uma lista de bandas que faz um gothic rock da linha Sisters/Fields/The Cult, com uma base mais hard rock ou ligada ao rock clássico dos anos 60. The Sisters of Mercy, The Mission, The Fields of the Nephilim, Rosetta Stone, Two Witches, Lacrimosa, Nosferatu, The Merry Thoughts, The House of Usher, Garden of Delight, London After Midnight, Seraphin Shock, The Awakening, Love Like Blood, Golden Apes, Deathcamp Projekt, ASP, Star Industry, Mono Inc., Soror Dolorosa, Merciful Nuns, Ariel Maniki & The Black Halos, etc.  LINHA ETHNO/ MEDIEVAL/ FOLK Algumas destas bandas misturaram sons folk, ethno ou de música antiga com elementos modernos, como new wave e música eletrônica, outras desenvolveram uma recriação atual dessas sonoridades: Dead Can Dance, Opera Multi Steel, Estampie, Corvus Corax, QNTAL, Daemonia Nymphe, Faun, Omnia, Irfan, Trobar de Morte, etc.  LINHA ETHEREAL WAVE/ ETHEREAL  Algumas estão no limite com a linha ethno, mas o tempo em geral é mantido baixo, os vocais são tipicamente etéreos e lentos, com predominância de vocalistas femininas com vocais líricos ou suaves (Mas há bons exemplos de vocais masculinos também). This Mortal Coil, Dead Can Dance, Cocteau Twins, Black Tape for a Blue Girl, Cranes, Collection D’Arnell Andrea, Lycia, Sopor Aeternus, Love Spirals Downwards, Ataraxia, Love is Colder Than Death, Ophelia’s Dream, O Quam Tristis, Helium Vola, Theodor Bastard, Autumn’s Grey Solace, Otto Dix, etc.  LINHA COLDWAVE/ DARKWAVE O termo Coldwave surge pela primeira vez em 1977 na revista Sounds em uma entrevista encabeçada pela banda Kraftwerk (em que aparece também pela primeira vez o termo EBM, Electronic Body Music). Coldwave se refere a sonoridades minimalistas mais frias (Cold) que podem ser mais lentas, aceleradas ou misturadas com outros estilos.  Twilight Ritual, Poesie Noire, Trisomie 21, Pink Industry, Clan of Xymox, Derrière Le Mirroir, Kirlian Camera, The Frozen Autumn, Other Day, Untoten, Lebanon Hanover, Zanias, Drab Majesty, etc.  LINHA SYNTH GOTH /ELECTRO GOTH Aqui a música darkwave se aproxima ou mescal com as vertentes mais dançantes ou aceleradas do synth pop, electro, EBM e outras vertentes eletrônicas: Die Form, Anne Clarck, Deine Lakaien, Cassandra Complex, Wolfsheim, Das Ich, Clan of Xymox, In Strict Confidence, Silke Bischoff, Kirlian Camera, Diary of Dreams, The Cruxshadows, Terminal Choice, L’ Ame Imortelle, Seelenkrank, Blutengel, Tristesse de la Lune, Solar Fake, Ashbury Heights, Seelennacht, Massive Ego, etc… EBM LINE Popular nas pistas góticas desde os anos 80, o maior ícone é a banda FRONT 242. Outras são Nitzer Ebb, Klinik, Neon Judgement, Skynny Puppy, Front Line Assembly, Leather Strip, Wumpscut, Hocico, Suicide Commando, etc. Algumas misturam – dependendo do álbum – seu estilo com outras vertentes eletrônicas ou electro-industrial.  Como vimos no ítem sobre Industrial, não é fácil estabelecer uma fronteira clara entre os dois estilos. Ao longo dos anos 80 e 90 a "EBM" incorporou experiências com vários outros estilos, que fazem a felicidade das pistas pelo mundo todo. Da mistura de EBM, Synth-Pop e elementos de trance surgiu no final dos 90’s o "Future Pop". Esse é apenas um panorama bem geral, em edições futuras nos aprofundaremos em algumas linhas e estações. ... Um assunto desse porte precisaria de dezenas de páginas para ser explorado em detalhes, nestas quatro páginas buscamos apenas apresentar um panorama geral. Se você se interessou, procure as bibliografias que indicamos e outras fontes, e, principalmente, não tenha pressa em entender: a mesma coisa pode entrar em diversas categorias dependendo do foco. E, principalmente, divirta-se e siga seu prazer musical.  ... H. A. Kipper, 2017, revista Gothic Station Nº1
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In MÚSICA
Acesse: https://www.gothicstation.com.br/playlists
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In LITERATURA
https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/09/29/CRONOLOGIA-DE-OBRAS-G%C3%93TICAS-do-S%C3%89CULO-XVIII-E-XIX CRONOLOGIA DE OBRAS GÓTICAS do SÉCULO XVIII E XIX September 29, 2018 | H. A. Kipper  CRONOLOGIA DE OBRAS GÓTICAS do SÉCULO XVIII E XIX Vamos citar apenas algumas obras mais importantes, e os livros influenciados mais famosos. Em negrito, sugestões de por onde começar a ler. Parte 1 (1764-1800) 1749- Horace Walpole compra a mansão Strawberry Hill e começa a goticizá-la 1754- Edmund Burke publica seu ensaio filosófico “Uma Investigação Filosófica Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo” (obra teórica) 1764- O Castelo de Otranto- de Horace Walpole (The Castle of Otranto) 1774- Lenore (poema balada)- Gottfried August Bürger 1774- Necromancer, ou o conto da floresta negra- Peter Teuthold (autoria disputada) 1786- Vathek- Willian Beckford (Vathek) 1790- Um Romance da Sicília- Ann Radcliffe (A Sicilian Romance) 1791- O Romance Da Floresta- Ann Radcliffe (The Romance Of The Forest) 1793- William Beckford começa a constuir sua catedral gótica, a Fonthill Abbey 1794- Os Mistérios de Udolpho- Ann Radcliffe (The Mysteries de Udolpho) 1796- O Monge- de Matthew G. Lewis (The Monk) 1797- O Italiano- Ann Radcliffe (O Italiano) Parte 2 (1800-1900): 1808- Fausto (versão definitiva) – Goethe – ( Faust, eine Tragödie ) 1813- O Renegado, Fragmento de um Conto Turco – Lord Byron – (Giaour...) 1817- O Homem de Areia – Ernst T. A. Hoffmann (Der Sandmann) 1818- Northanger Abbey – Jane Austen (paródia dos romances góticos) 1818- Frankenstein ou O Moderno Prometeu – Mary Shelley (Frankenstein: or the Modern Prometheus) 1819- A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça – Washington Irving 1819- O Vampiro- John Polidori (The Vampyre) 1821- Melmoth o Viandante- Charles Maturin ( Melmoth the Wanderer) 1835- O Jovem Gordon Brown – Nathaniel Hawthorne (Young Master Brown) 1936- A Morte Amorosa- Theóphile Gautier – (La Morte Amorouse) 1840- Tales of the Grotesque and Arabesque - E. A. Poe (contém A Queda da Casa de Usher e outros contos importantes) 1842- A Máscara da Morte Vermelha- E. A. Poe (The Masque of Red Death) 1846- Musgos de um Velho Solar- Nathaniel Hawthorne (Mosses from an Old Manse) 1847- O Morro dos ventos Uivantes- Emily Brontë (Wuthering Heights) 1847- Varney, the Vampire, or The Feast Of Blood- James M. Rymer 1850- A Letra Escarlate- Nathaniel Hawthorne- (The Scarlett Letter) 1857- As Flores do Mal- Charles Baudelaire (Les Fleurs du Mal) 1868- Os Cantos de Maldoror -Conte de Lautréamont ou Isidore Lucien Ducasse (Les Chants de Maldoror)  1886- O estranho caso de dr. jekyll e mr. hyde  - Robert Louis Stevenson (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)   1972- Carmilla e outros contos - Sheridan  Le Fanu (no livro “In a Glass Darkly”) 1891- O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde- (The Picture of Dorian Gray) 1897- O Homem Invisível- H. G . Wells (The Invisible Man) 1897- Dracula- Bram Stoker 1898- A Volta do Parafuso- Henry James (The Turn of The Screw)
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In LITERATURA
Leia artigo aqui: https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/09/29/Algumas-caracter%C3%ADsticas-da-Literatura-G%C3%B3tica ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA GÓTICA September 29, 2018 | H. A. Kipper ALGUMAS CARACTERÍSTICAS  DA LITERATURA GÓTICA: “O Gótico tem sido e permanece necessário à cultura ocidental moderna, porque ele nos permite, no fantasmagórico de uma ficcionalidade descaradamente falsa, confrontar as raízes de nossos seres em contraditórias multiplicidades (da vida se transformando em morte aos gêneros se confundindo até o medo se transformando em prazer e muito mais) e a definir nossos seres em oposição a essas assombrosas contradições, ao mesmo tempo que nos sentimos atraídos por elas, tudo isso em um tipo de atividade cultural que, enquanto o tempo passa, pode continuar inventivamente a mudar seus fantasmas de mentira para que abordem anseios e medos culturais e psicológicos mutáveis”. (Jerrold e. Hogle)  As caraterísticas principais dessa literatura estabeleceram o sentido da palavra “Gótico” nos últimos 200 anos. Toda literatura posterior que foi influenciada segue esse sentido da palavra Gótico, bem como o cinema no século XX, desde seu surgimento. Posteriormente a subcultura gótica se apropriou desse repertório todo, resignificando-o.  Algumas características principais da literatura gótica são: - CARÁTER PROMETEICO: como no mito de Prometeu, algum personagem tende a desafiar os deuses, mesmo que seja para melhorar o mundo, sendo depois eternamente punido por isso. Por consequência, o mito de Lúcifer acaba sendo assimilado a essa ideia no século XVIII, especialmente pela obra Paraíso Perdido de Milton. Não por acaso, Mary Shelley chama seu Frankenstein de “Moderno Prometeu”.  Por isso, tantos “anjos caídos” e “anjos negros” na estética gótica. O Mito de Prometeu tem várias versões. Em uma das mais conhecidas o titã Prometeu rouba o fogo dos deuses (a cultura) para trazer aos humanos e melhorar nossas vidas. Ele é descoberto pelos deuses e recebe uma punição exemplar e eterna: ser amarrado a uma rocha e ter seu fígado comido todo dia por uma águia, sendo que todo dia seu fígado se regenera para que o suplício possa se repetir… Prometeu se torna, assim, um modelo daquele que ousa desafiar a ordem estabelecida (da sociedade, da religião, dos deuses, do universo etc) para realizar uma melhoria humana ou se colocar acima dos deuses, incorrendo em algum erro nesse processo que causa mais danos que bem (muitas vezes enlouquecendo no processo) e sendo exemplarmente punido no final, muitas vezes, com uma punição eterna.  - HEROI X MUNDO/ EU X EU: Ao contrário do Romantismo tradicional, o conflito não é entre um herói bom e um mundo mau que atrapalha a realização do bem e do amor. O conflito na estética Gótica é interno, pois o mal e a loucura ameaçam o protagonista a partir de dentro de si. Posteriormente esse modelo vai inspirar o será chamado de herói Byroniano.  O “herói” (se o podemos chamar assim…) gótico tem uma moral dúbia: seu conflito entre bem e mal é interior, não exterior. Já o herói romântico é (ou se vê) uma alma pura e boa, e o conflito acontece com um mundo mau ou decadente, que o impede de realizar sua perfeição e bondade (geralmente através do amor). Podemos perceber que o que passa a ser chamado de herói Byroniano décadas depois não é mais que uma versão romântica desse personagem gótico seminal. É assim com Manfred, Vathek, Monge, o Judeu errante, Frankenstein e todos os Vampiros e anjos caídos que possamos imaginar. Exatamente a imagem de Lúcifer como um “rebelde positivo” só pode ser possível a partir do século XVIII ajudada pela obra “Paraíso Perdido” (1667/1774), de Milton, que traz uma versão de Lúcifer simpática ao imaginário dessa época.  Também Fausto, tanto na versão popular quanto na peça de Marlowe, tem um fundo prometeico. Tanto que Goethe, depois de ter realizado um dos livros fundadores do Romantismo (Werther) desenvolve sua obra mais gótica no século seguinte, com Fausto.  Aliás, lembrar de Werther como essencialmente Romântico é oportuno para ressaltar outra característica romântica. O personagem Romântico acredita que o mal está no mundo material, em oposição a sua alma pura, que pode ter sua realização no mundo espiritual idealizado (da mesma forma que o passado é idealizado), logo muitas vezes o suicídio aparece como libertação, em que a alma é libertada dos males do corpo e mundo material.   Frankenstein (1819) já uma obra da fase seguinte do Romance Gótico, e talvez seja o exemplo mais conhecido de trajetória prometeica: cientista desafia religião, moral e ciência para recriar a vida, enlouquece e perde a humanidade no processo, que não dá muito certo… e é eternamente perseguido pelo resultado.  - A LINGUAGEM: no Romance Gótico ela se aproxima mais da crueza e realismo Shakespeariano do que da assepsia e idealização do Romantismo. Walpole inclusive cita Shakespeare como referência em sua introdução a Otranto (1764). Mesmo que poetas românticos posteriormente reciclem imagens de romances góticos de uma forma mais aceitável.   Como já foi dito, o “Gótico é uma estética do excesso” e sua linguagem nem sempre tem a limpeza e pureza que encontramos no romantismo. A linguagem do Romance gótico vai descrever o feio e o escatológico quando o encontra.  No século XIX muitos romances misturarão elementos gótico e românticos. Tanto que, como o Romantismo chega no Brasil quando já está terminando na Europa, a versão do romantismo recebida por nós aqui traz o Gótico como característica já misturada ao Romantismo. - O CORPO: Algo escandaloso para os padrões do século XVIII  e começo do XIX, nos romances góticos a sensualidade física é expressa, e os personagens têm um corpo e uma sexualidade que se busca realizar, não necessariamente baseada no amor. Temos casos em que a relação sexual se realiza, ou mesmo tentativas ou realização de estupro. Não há uma idealização da mulher.  No caso dos romances Românticos, temos muitas vezes uma idealização da mulher, e uma descorporificação dos personagens. Os personagens em geral buscam um amor idealizado, baseado no amor platônico ou religioso, sendo que em muitos casos essa ambição só “se realiza” idealmente na união das almas após a morte. No Romantismo original vemos personagens que praticamente não apresentam corpos, amor platônico e realização do amor apenas “entre as almas”, muitas vezes realizado com a morte. (Ex: “Werther” ou “Amor De Perdição”). O sucesso da primeira leva de romances góticos é contemporâneo de outra polêmica, aquela lançada pelas obras do Marquês de Sade (1740-1814). A obra de Sade não é gótica em si, mas romances góticos da mesma época como Otranto (1764), Vathek (1786) e o Monge (1796), entre outros, compartilham elementos como incesto, assédio sexual, luxúria e confinamento, que se aproximam mais das perversões sádicas do que do idealismo e incorporeidade românticos.  Tanto autores góticos quanto Sade sofreram críticas pelos seus atentados contra a moral e o bom gosto. Sade, como se sabe, passou por isso muito tempo enclausurado.  Se tomarmos a obra de Goethe que marcou o início do romantismo, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (1774), notamos significativa diferença em relação aos romances góticos. Goethe só no século seguinte nos presentearia com uma releitura mais gótica de uma peça clássica de Marlove (1563-1593) sobre uma lenda popular, com a parte inicial de “Fausto” (1808).  - O MAL INTERIOR: na narrativa gótica o mal interior se apresenta como degeneração física e moral da alma e do corpo, sendo muitas vezes representado por imagens tomadas das doenças nervosas como descritas na medicina da época. Um dos casos mais conhecidos disso se apresenta em “A Queda da Casa de Usher”, de Poe, que seguiu o modelo gótico que vinha do século XVIII. A questão da ameaça ou processo de enlouquecimento nos Romances Góticos é outro imaginário recorrente que influencia aspectos tanto de personagens quanto cenários. A imagem da natureza também pode divergir muito no Goticismo e no Romantismo. No Romantismo a natureza tende a representar algo bom, um espelho da alma imaculada do herói. Já no romance gótico a alma do herói é conturbada e ambígua, e seu conflito, interior. Então a natureza e a noite vão aparecer como os lugares do mistério e guardando ameaças potenciais.   -ANTICLERICALISMO: seja contra religiões orientais, como em Vathek, ou religiões e crenças ocidentais, a narrativa gótica estará de alguma forma desafiando a religiosidade e morais estabelecidas, mesmo que essa “religião” seja a Ciência. Manfred (Otranto) persegue a noiva do filho morto, Vathek desafia todos os deuses, O Monge desafia tanto Deus com sua soberba como com seus pecados, Frankestein desafia inúmeros valores morais ao tentar criar vida a partir da morte.  Este aspecto se une a questão Prometeica, e Melmoth vagueia séculos com sua maldição. O personagem vampiro é mais um caso de maldição Prometeica ou Luciferiana. De uma forma ou outra, por desafiarem algum sagrado, todos são punidos eternamente ou por um tempo que parece eterno.  Na percepção da insuficiência da razão e da religião, os autores góticos não oferecem uma solução, apenas apresentam os elementos contraditórios e paradoxais.  Assim a moral dúbia e ambígua dos personagens e do texto gótico tem essa base. Ao contrário, os autores românticos buscam através da imaginação e beleza criar uma forma de reconciliação que a razão e a religião não podem oferecer. Para o romântico, o belo e o sublime vão desempenhar essa função. O caráter prometeico (ou luciferiano ou fáustico) do Romance Gótico não ajudou na sua popularidade entre as autoridades e críticos também devido a outra característica recorrente: o desafio a religião ou moral, seja ela qual for.  Com muitos personagens locados na Europa Latina e Católica Medieval, as críticas ao Catolicismo são evidentes, mas este aspecto atinge outras religiões cristãs ou mesmo o Islamismo e crenças exóticas, como vemos em Vathek, que consegue desafiar diversas crenças na mesma obra. Pelo contrário, em romances Românticos, vemos muitas vezes um reforço das crenças religiosas, com uma solução por vezes espiritual.  -O SUBLIME: No Terror Gótico se busca pelo sublime no terror da antecipação, e não no susto ou violência. A vertente do Horror Gótico, por sua vez, expõe o protagonista a situações extremas morais e físicas que ameaçam sua sanidade.  Uma teoria do sublime de influenciou a narrativa e os efeitos buscados pelos primeiros autores góticos, entre 1760 e 1800 e posteriormente. Burke publicou em 1754 “Uma Investigação Filosófica Sobre a Origem de Nossas Ideias do Sublime e do Belo”, que se tornou um clássico já em sua época. A teoria é complexa e sua consequência é que os autores góticos procuravam despertar o efeito de sublime nos seus leitores explorando recursos de suspense, terror, vastidão, obscuridade. Era buscado um efeito de “expansão do espírito”, como quando entramos em uma grande caverna ou catedral. Algo bem diferente do que vemos em filmes “de susto” modernos. De fato, boa parte dos romances góticos, apesar de insinuar ou relatar grandes horrores, mostra pouco.  NÃO APENAS UM CENÁRIO Assim, é importante notar que a estética gótica não se resume a um sistema de cenários (castelos em ruínas, cemitérios, noites enfumaçadas etc) e alguns personagens padrão (zumbis, múmias e vampiros, entre outros). Isso tudo faz parte da tradição gótica, mas estes elementos de cenário e personagens podem e são muitas vezes usados em obras que não são góticas.  Estes cenários fazem sentido em uma obra gótica, porque são uma expressão na forma da estética do conteúdo mais estrutural. Muitos livros, filmes, estilos de roupa, séries, quadrinhos e jogos foram desenvolvidos a partir da estética gótica e isso é algo que faz parte da cultura universal e domínio público de qualquer pessoa, gótica ou não. O que nos interessa aqui é ver o que a subcultura gótica fez com esses elementos da cultura universal, pois sem entendermos esses elementos da cultura universal não temos como entender o que foi feito deles na subcultura gótica.  H. A . Kipper, do livro HAPPY HOUSE In a BLACK PLANET - VOL. 2
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In SUGESTÕES E DÚVIDAS
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henriquekipper
13 de fev. de 2019
In MODA
Acesse alguns textos que podem ser de maior interesse aqui em nosso site: https://www.gothicstation.com.br/moda Conheça também o Blog MODA de Subculturas: http://www.modadesubculturas.com.br/ A maioria destes textos são parte integrantes dos livros "A Happy House in a Black Planet: uma Introdução à Subcultura Gótica"  Volume 1 (2008) e Volume 2 (2018) de H. A. Kpper (a não ser os do site *Moda de Subculturas, com créditos próprios).  Você pode reproduzí-los a vontade desde que faça a gentileza de citar a fonte, o autor e este site.
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henriquekipper
31 de ago. de 2018
In REGRAS DO FÓRUM
REGRAS do FÓRUM & COMO FUNCIONA UM FÓRUM 1 - Comente sobre ideias, não sobre pessoas que participam do fórum ou fora dele. 2 - O objetivo é compartilhar e aprofundar conhecimento, não apenas informação. Conhecimento é a capacidade de relacionar e avaliar informação. Por isso a "sociedade da informação" se tornou uma "sociedade do conflito": só quantidade de informação não significa conhecimento e não leva ao conhecimento e entendimento. 3 - Respeitar as pessoas com a qual você está conversando significa pensar sobre as ideias do outro, e elaborar uma resposta bem pensada e bem escrita. 4- Comente sobre ideias, informações e conceitos, não sobre pessoas do Forum ou mesmo ausentes dele. Qualquer agressão verbal pessoal será advertida, e se reincidir pode gerar banimento. 5- Procure NÃO responder rápido. Não tem pressa. :-) Pensar sobre o que você vai responder, pensar sobre o que o outro escreveu e escrever com calma e clareza é uma forma de mostrar RESPEITO pelo outro como sujeito. Dois monólogos não formam um diálogo! :-) 6 – QUANTIDADE NÃO É QUALIDADE: Um FÓRUM não é um CHAT (como Whatsapp) ou FEED (como Instagram, Facebook ou Twiter, redes sociais criadas com uma estrutura para dificultar aprofundamento, reflexão e diálogo humano). Antes do Orkut ou Facebook, Fóruns eram o modelo de rede online mais popular, baseados na organização e troca de informações, e debates sobre assuntos específicos. É esperado que você comente e desenvolva uma ideia, se possível citando fontes. 7 – Fóruns se organizam por SubFóruns e os SubFórunssão divididos em tópicos de assuntos. Logo você não vai postar em qualquer lugar. Por exemplo, se quer falar ou perguntar sobre Joy Division, você vai entrar no Fórum, procurar o SubFórum “Música” e procurar se existe um Tópico “Joy Division”. Aí você posta ou responde naquele tópico, as mensagens ficam arquivadas e não se perdem entre outros assuntos 8 - Abrir novos subtópicos: Se no SubFórum que você entrar ainda não existir um subtópico do assunto de seu interesse você pode abrir um tópico. Ou pergunte como no SubFórum de Dúvidas. 9 - Netiqueta: Em um fórum você não fica conversando com uma pessoa como em um feed de Whatsaap, isso é considerado até falta de educação com os outros integrantes, uma falta também conhecida como “flood” (flodar, de inundar de mensagens, impedindo o debate entre as outras pessoas naquele “tópico”). Quem faz isso sofre advertência do administrador e pode ser expulso por estar ofendendo os outros membros. Quantidade não é qualidade. 10- Inteligências são várias e todas são desenvolvíveis e aprimoráveis. Lógica NÃO é uma capacidade inata ou traço de caráter: é uma Ciência que deve ser aprendida, e todos nós podemos cometer erros de lógica as vezes, por isso vamos ter humildade para aceitar análises sobre nossa lógica (não confundir com conteúdo de informação). 11- Velocidade é violência, Gentileza gera Gentileza :-); Ninguém nasce sabendo, todos erramos um pouco e ninguém é perfeito. Pensar e amadurecer leva tempo, aprender e desfrutar é devagar: Não somos máquinas. <3
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henriquekipper
05 de ago. de 2018
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05 de ago. de 2018
In SUBCULTURA GÓTICA
Para ler alguns textos introdutórios sobre a subcultura Gótica, acesse o link: https://www.gothicstation.com.br/o-que-e-gotico Para baixar nossos livros e revistas : https://www.gothicstation.com.br/download Quem desejar encomendar as versões impressas, pode entrar em contato pelo facebok ou instagram ou escrever para o email: henrique_kipper@yahoo.com
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henriquekipper
05 de ago. de 2018
In SUBCULTURA GÓTICA
O que é Subcultura? Um texto Introdutório: https://www.gothicstation.com.br/post-unico/2018/09/18/O-QUE-%C3%89-SUBCULTURA
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