COLAPSO DO CAPITAL SUBCULTURAL  COMO INSTRUMENTO DE PODER

9. COLAPSO DO CAPITAL SUBCULTURAL COMO INSTRUMENTO DE PODER


Este texto é um capítulo do livro "HAPPY HOUSE IN A BLACK PLANET: VOLUME 2" (2018) de H. A. Kipper, você pode baixar o pdf completo deste e outros livros AQUI)


Na segunda metade dos anos 1990 Sara Thornton popularizou o termo “capital subcultural”, inspirando-se no conceito de “Capital Cultural” como usado por Pierre Bordieu. O capital cultural seria o status que individuo adquire em seu grupo social e cultura por possuir ou consumir certos discursos, gostos, conhecimentos e produtos culturais. O capital cultural não é necessariamente ligado ao capital econômico, podendo aparecer tanto em conjunto quanto em separado deste.


O conceito de capital cultural como desligado do capital econômico fica claro no exemplo de “potlatch” citado por Levi Strauss, em que dois grupos autóctones competem por quem destrói mais recursos em uma celebração, sendo o vencedor aquele que mostra poder de destruir mais recursos. Vemos um reflexo disso no costume ocidental urbano de esbanjar e ostentar. Porém o objeto de ostentação pode não ser caro, mas apenas raro ou secreto, igualmente para poucos. Assim elites underground, subculturas alternativas e grupos culturais excluídos podem estabelecer dinâmicas de poder internas e elitismos mesmo no limite da pobreza e são dinâmicas estruturalmente semelhantes a quem usa recursos econômicos para isso.


Assim, a raridade de um conhecimento, a edição limitada de um vinil ou de um fanzine podiam funcionar como elemento de formação de capital cultural ou subcultural excludente. Não só os objetos em si, mas a forma e circulação dos objetos entre as pessoas importava, devido a sua escala limitada. Assim, algo caro como um exemplar uma tiragem limitada de um vinil podia ter o mesmo poder de conferir status que algo grátis ou quase como um zine xerocado. A função é a mesma, não importa o preço do objeto, mas sua raridade e forma de circulação e troca.


O objetivo do capital cultural é sempre gerar distinção dentro de um grupo social ou estabelecer um círculo de elite cultural em que só quem tem o capital correto é valorizado. Um item de capital cultural pode perder valor se grande quantidade de pessoas tem acesso a ele. Nesse caso, o grupo de distinção ou elite, automaticamente, estabelecerá um novo item de valor cultural que seja mais inacessível. Ou nova rede social que de