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A QUEM INTERESSA A NÃO PROFISSIONALIZAÇÃO DA CENA GÓTICA BRASILEIRA?

November 2, 2018

 

A QUEM INTERESSA A NÃO PROFISSIONALIZAÇÃO DA CENA GÓTICA BRASILEIRA?


Por que pessoas que conseguem construir algo positivo na cena gótica brasileira (selos, bandas, festivais, eventos, editoras, lojas, etc) são consideradas geralmente “traidoras do movimento” ou “mercenárias”?
 

Sem dúvida seria criticável fazer algo “só por dinheiro” em uma subcultura alternativa, mas para realizar coisas que acreditamos e amamos e que são fora do normal, ou para levar arte e conhecimento alternativo até as pessoas, também temos custos. Nada surge pronto, tudo é resultado de custos e muito trabalho.  Já comentamos sobre as diferenças de uma microeconomia subcultural neste texto, em oposição a uma economia focada apenas no consumo e descarte.
 

Assim, a não profissionalização da cena gótica significa desrespeito a todos em todos os níveis: desrespeito a banda que vai tocar de graça em um palco precário com som ruim, queimando sua qualidade artística, e que não pode se dedicar com exclusividade a sua arte; desrespeito ao público que é enrolado pelo rótulo de “underground” e tem sua vida colocada em risco em eventos em instalações precárias, sem saída de incêndio ou sem segurança; desrespeito aos artesãos e lojas especializadas que também acabam fechando suas portas e não podem se dedicar a sua arte; desrespeito aos produtores musicais, editoras, selos musicais, lojas, etc. que acabam fechando ou desistindo porque não há consumo de seus produtos apesar de todo trabalho de divulgação de novos artistas e informação... etc.
 

Por que, apesar da grande população interessada online ou saindo nos rolês, não temos no Brasil um micro mercado especializado como em outros países? Mais: porque há a rejeição da própria ideia de que possa haver, como se isso fosse uma traição da própria ideia de “alternativo” ou “underground”?
 

Aparentemente existe uma negação do comércio e culpa romântica pelo lucro (ou pela própria noção de que as coisas tem custo). De onde vem isso? Parece ser uma ideia distorcida do conceito de underground misturada com mito do herói puro romântico que morre pobre e incompreendido, o que prova que ele é realmente bom, afinal quanto mais incompreendido, mais artista... essa ideia poderia ser válida no século XIX ou início do século XX, mas hoje não faz muito sentido.
 

A forte influência de ideologia romântica e anticapitalista em algumas subculturas acabou formatando esse preconceito com o comércio significativo, apesar de o consumismo de produtos industrializados e não culturais como bebidas, cigarro e drogas serem muitas vezes romantizados.
 

Um paradoxo a ser estudado!  
 

Mas em outros países, mesmo cenas punks, hardcore ou outras extremamente alternativas começaram no sistema do it yourself foram crescendo e profissionalizando os colaboradores que trabalhavam para que aquele conteúdo cultural alternativo chegasse ao maior número de pessoas com qualidade, e os artistas pudessem realizar seus conceitos, e, eventualmente, até viver e se dedicar com exclusividade a sua arte. Essa profissionalização exige dedicação exclusiva, constituição de empresa e pagamento de salários para quem colabora e trabalha. Evoluiram para o “do it together” e/ou empresarial com foco no alternativo.
 

Aqui no Brasil estamos longe das formas mais rudimentares de fazer isso. Temos dois selos cujo único funcionário é seu dono.  Não conheço nenhuma banda, produtor de eventos, editor ou DJ que viva exclusivamente do seu trabalho. Não temos mais nenhuma loja especializada em CDs gothic/darkwave. Restam poucas lojas de vestuário abertas, e algumas online que servem várias cenas.
 

Algumas tentativas de grandes festivais feitas no Brasil não tiveram apoio de grande parte do público. Outras se esforçam para conseguir pagar seus custos e continuar a existir.

 

Aparentemente uma certa ideologia baseada em uma distorção dos conceitos de “underground”, cena punk e do it yourself cria um caldo em que o comércio é coisa do demônio e tudo deve ser de graça, muito barato e precário. Ao mesmo tempo, as mesmas pessoas gastam muito dinheiro em consumo relacionado a outras coisas, mas não na cena gótica. Ironicamente, existe um policiamento contra consumismo e lucro na cena gótica brasileira, como se fossem coisas do mal. 
 

Qual o sentido disso?
 

Já comentamos como essa questão é relacionada a toda uma ideologia de geração de status para um modelo de cena reduzido a poucas pessoas, aqui: 10 MITOS QUE PREJUDICAM A CENA GÓTICA BRASILEIRA
 

Não há muito mais do que dizer: essa ideia distorcida de underground é um dinossauro do século passado, que aplicada a cena gótica no século XXI continua a sabotar nosso desenvolvimento através de preconceitos e dinâmicas que só podem ser vistas como elitistas ou sectárias.   
 

Mesmo que algumas pessoas reproduzam essa ideologia com boas intenções, o estrago é o mesmo. Temos pelo menos 10 mitos para combater.
 

E velhas ideias.

 

 

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