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CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO"

October 29, 2018

18- CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO" (desde os anos 1970 e na imprensa Inglesa):

do livro: "A Happy House in a Black Planet: Introdução à Subcultura Gótica (2008, capítulo 18)
 

Importante: esse texto é apenas sobre o uso do nome na cultura rock musical. Fora disso os conceitos de góticos já faziam parte da cultura geral, erudita e pop, e por isso puderam ser facilmente incorporados para formar o repertório simbólico da subcultura gótica. Falamos da história da palavra gótico em outro capítulo.
 

18- CRONOLOGIA DO USO SUBCULTURAL DO TERMO "GÓTICO"
 

Aqui falaremos apenas sobre o uso do termo "GOTH" (Gótico) aplicado inicialmente a um estilo musical e depois à subcultura de mesmo nome, nos últimos 40 anos.
 

1967: em um artigo chamado "Four Doors to The Future: Gothic Rock is Their Thing", John Stickney define a banda The Doors como "Gothic Rock". Curiosamente a descrição das características "góticas" da banda nesse texto coincide com o que seria definido como Gótico dez a quinze anos depois.
Essa referência é citada no site Scathe e aceita como fonte nos livros Goth Bible e Goth Chic. Não é possível confirmar se esta citação influenciou outras citações posteriores, mas algo facilmente observável é a influência da banda The Doors já sobre a primeira geracão de bandas Góticas, tanto nas letras, vocais, estilo, quanto nos covers. Citações nos anos 70 parecem comprovar que esta influência era um lugar comum (ver citação de Kent em 29/7/1978, alguns itens abaixo).
 

1972:  Não é sobre a palavra, mas sobre o clima dos anos 70: Em 1972 é lançado o filme "Cabaret", com Liza Minelli, baseado na obra "GoodBye Berlim" de Chistopher Isherwood, sobre os cabarets e a "divina decadência" da Berlim dos anos 1930. Patrice Bollon em "A Moral Da Máscara" relata que este filme teria gerado uma moda em Londres que influenciou o Bromley Contingent, do qual emergiram várias pessoas que se tornaram referência no pos-punk e no Gótico. Os mais conhecidos são Siouxsie Sioux e Steven Severin, da banda Siouxsie and The Banshees.  
 

1972-1974: "Diamond Dogs" - Em 1974 David Bowie em uma entrevista a respeito do seu álbum "Diamond Dogs" teria comentado que este era "gótico" no estilo (citado pelo DJ inglês Deacon Syth no livro "Goth Bible" de Nancy Kilpatrick e em outros livros sobre música). Podemos encontrar neste álbum elementos que foram adotados por punks e góticos. No figurino de sua tournée de 1972, encontramos o uso de meias arrastão como camisa e as maquiagens expressionistas dos performers do show. "Diamond Dogs" é baseado nas distopias dos livros "1984" de George Orwell , na ficção científica "A Boy and His Dog" de Harlan Ellison e em The Wild Boys de William Burroughs. Algumas canções, como "the evercicling dance of the skeletal family" e outras, falam de uma "Metrópolis" decadente e imunda habitada por seres de Halloween (halloween jack, etc) e personagens de Tod Browning (em "Diamond Dogs"). Tod Browning foi o cineasta que dirigiu Drácula, com Bela Lugosi (1931). A faixa "We are the Dead" é auto-explicativa, além de "1984" e "Big Brother".
 

1975: Depois do sucesso popular da peça musical nos anos anteriores, em 1975 é lançado o filme "The Rocky Horror Picture Show", no qual o Glam-Rock encontra a "Família Addams" (e seu pastiche de estilo Gótico ) em um filme de terror B dos anos 50. Neste filme vemos todos os elemento da literatura gótica misturados com a estética e música glam que seria chamado de gótico por nós até hoje.    
 

29/7/1978: Nick Kent na revista NME diz de Siouxsie: "Paralelos e comparações podem ser agora traçadas com arquitetos do gothic rock como The Doors e, certamente, Velvet Underground do começo". Siouxsie and The Banshees lançaram em 1978 seu álbum "The Scream". (fonte: scathe).
 

1979: Martin Hannett, empresário do Joy Division, descreve o álbum Closer do Joy Division como "Música dançante, com tonalidades góticas".
 

23/6/1979: Nick Kent chama o The Cramps de "American Gothick" em uma resenha da revista NME.  
 

15/9/1979: No programa "Something Else" da BBC TV, Tony Wilson (produtor da banda) descreve o Joy Division como "Gótico comparado com o pop comercial". Na mesma entrevista Bernard Albrecht, guitarrista da banda, reforçou essa noção comparando a música da banda ao seu amor ao clássico filme expressionista Nosferatu (1922), dizendo: "a atmosfera (era) realmente maligna, mas você se sente confortável nela".
 

2/10/1979: Penny Kiley escreve em uma resenha "'Gótico se tornou uma definição algo supertrabalhada do gênero, mas o efeito do Joy Division é o mesmo (para pegar um exemplo óbvio) que dos Siouxsie and The Banshees".
 

1979: Bauhaus lança o single de "Bela Lugosi is Dead". As artes dos álbuns e material gráfico da banda trazem imagens de filmes expressionistas de temática gótica e do Drácula de Bela Lugosi. A temática estava na moda…
 

Fev/1981: Em entrevista com Steve Keaton da Sounds, Abbo do UK Decay diz: "…nós estamos nesta coisa toda de Gótico"...

1981: Os comentários abaixo são tirados de "Siouxsie And The Banshees: The Authorised Biography", de Mark Paytress, e se referem especialmente ao álbum "Juju", lançado em 1981. Steve Severin (da banda Siouxsie and The Banshees): "Nós realmente descrevemos "Join Hands" (1979) como "gothic" na época do seu lançamento, mas os jornalistas não se prenderam muito a isso. Com certeza, naquela época nós estávamos lendo muito Edgar Allan Poe e escritores similares. Uma música como "Premature Burial" daquele álbum é certamente Gótica no sentido apropriado".
 

1982/começo de 1983: O clube Batcave é aberto em Londres. Ian Astbury (Southern Death Cult, The Cult) usa o termo "goths" para descrever os fans do Sex Gang Children, o que é divulgado pelo redator da NME, Stephen Dorrell. 
"Goth" se torna finalmente aceito como um movimento de direito. Andi (do Sex Gang Children) relata a respeito da época: "- chamaram meu apartamento de Visigoth Towers pelas minhas costas como piada. Dois músicos que eu conhecia que viviam por perto - Ian Astbury and Billy Duffy (ambos dos primórdios Goth do Southern Death Cult) inventaram o apelido "Gothic Goblin" ou "Count Visigoth". Acho que alguém mencionou isso para um jornalista chamado Dave Dorrell, que então começou a divulgar o termo "Goth". Mas "Gothic" já vinha sendo usado por algum tempo (antes) para descrever vários estilos de música, especialmente Joy Division. Para mim, especialmente, o termo Gothic se refere a algo um pouco mais elaborado e clássico do que o Gótico comercial que temos visto."
 

Out/1983: O jornalista Tom Vague se refere a "Hordes of Goths" na revista Zig Zag, (cujo diretor era Mick Mercer). Nessa época tanto o termo Gótico como a Subcultura relacionada já estavam estabelecidos... Anos depois de ter sido usado pela primeira vez, o termo se torna aceito e definido.
 

Aparentemente o termo positive punk foi uma tentativa de alguns jornalistas de mudar o nome daquela tendência, por alguns meses (fevereiro/1983), mas o termo não pegou. Mick Mercer comentou: "As pessoas precisam se lembrar que Richard (Richard North da NME que divulgou o termo Positive Punk) não estava falando de nada mais que uma certa atitude de uma poucas bandas no seu artigo sobre o Positive Punk (aprox. Fev/1983) e ele não tinha intenções extras de proclamar um movimento. Ele ficou tão surpreso quanto qualquer um quando o artigo foi para a capa da revista…(..). Foram os subeditores, provavelmente em uma semana fraca, que inventaram tudo. Ele só estava interessado em procurar uma linha de pensamento Punk mais imaginativa, não um movimento."
 

Em uma entrevista com Dave Thompson e Jo-Anne Green da revista Alternative Press em Novembro de 1994, Ian Astbury, o ex-vocalista do Southern Death Cult, declara que ele inventou o termo gótico:"O termo "goth" era um pouco uma piada, insiste Ian Astbury. "Um dos grupos que estava se destacando ao mesmo tempo que nós era o Sex Gang Children, e (o vocalista) Andi - costumava se vestir como um dos fans do Siouxsie and The Banshees, e eu costumava chamá-lo de "Gothic Goblin" porque ele é um cara pequeno e moreno. Ele gostava de Edith Piaf e essas músicas macabras, e ele vivia em um prédio em Brixton chamado "Visigoth Towers". Assim, ele era o "Gothic Goblin", e seus seguidores eram os "Goths". Daí que o Gótico veio." Todavia, devido aos outros usos anteriores ou similares fica difícil considerar este o primeiro uso.
 

1983: Marc Almond (Soft Cell) relata sobre 1983: "a moda daquele ano era o gótico-roupas pretas, batom preto, renda preta, cabelo preto - você podia incluir qualquer coisa desde que fosse preta. Rostos pálidos, bijuterias imitando ossos, qualquer coisa que lembrasse morte estava na ordem do dia". Com o crescimento da cena, a imprensa inglesa aceita o nome que se tornou popular: Goth.
 

Ainda em 1983 é lançado o filme "Fome de Viver" com o Bauhaus tocando "Bela Lugosi is Dead" na abertura, em um clube noturno em que os vampiros representados por David Bowie e Catherine Deneuve vão para buscar suas vítimas… Talvez pela primeira vez no cinema os vampiros são representados de forma mais "sensível". Em 1984 o gótico já estava "fora de moda" para a imprensa comercial, mas se tornara algo muito maior que uma moda passageira…até hoje. Felizmente, no mundo real, as coisas não desaparecem quando a imprensa comercial deixa de falar delas…


DESENVOLVIMENTOS POSTERIORES:
Aqui comentamos sobre o termo gótico na primeira geração do Gótico (1978-1983). Sobre os desenvolvimentos posteriores nos aprofundaremos em outra oportunidade. Mas a seguir algumas linhas gerais:
 

Na Alemanha, desde a virada dos anos 80 para os anos 90, floresceu uma cena "Darkwave-Goth" com o movimento "Neue Deutsche Todeskunst" e com uma imprensa própria especializada tanto na área musical como comportamental. Também existe na Alemanha desde 1992 o maior festival mundial de música Gótica que cresce a cada ano, o Wave Gotik Treffen. Temos desenvolvimentos igualmente importantes em outros países da Europa, e surgimento de novas tendências internas da subcultura gótica global. 
 

Também nos Estados Unidos, onde tanto o lado mais Deathrock quanto o mais Darkwave e Ethereal, ou a mistura com Industrial, florescem até hoje associados a subcultura Gótica, como as bandas ligadas ao selo Projekt.

Da mesma forma que a Europa, os EUA também possuem selos importantes lançando artistas de qualidade desde o Gothic-Rock, DeathRock, Ethereal, Synth-Goth, Electro-Goth, Industrial, etc, que representam muito bem a tradição Gótica.  Tanto nos EUA como na Europa e até no Brasil novas bandas com novas sonoridades continuam surgindo durante os anos 90 e até hoje.
 

Importante lembrar sempre que cada continente ou mesmo país usa rótulos ligeiramente diferentes para as mesmas bandas, ou usa um mesmo rótulo em sentido diferente. Comentamos mais essa questão no capítulo 13- Glossário de Estilos Musicais.

do livro: "A Happy House in a Black Planet: Introdução à Subcultura Gótica (2008, capítulo 18). H. A. Kipper 
 

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