A Happy House in a Black Planet:
Introdução à Subcultura Gótica

21- ANFÍBIOS CULTURAIS

Evidentemente os Góticos não vivem em uma ilha isolada no meio do Mar Negro ou do Mar Morto. Também nos servimos do sistema comercial e de toda estrutura da sociedade oficial. "Todavia, o consumo seletivo de fontes não-subculturais não é inconsistente com a conceituação da cena gótica como uma subcultura". (Hodkinson, 2002)

A subcultura Gótica não está conspirando-sorrateira e pacientemente- pela destruição ou conversão da cultura dominante. Não existe um conflito: existe a definição de um espaço de diferença. Um espaço que às vezes é físico, mas sempre é mental: mesmo mergulhado no dia a dia de seus afazeres na sociedade dominante, o gótico preserva sua visão de mundo diferenciada.

As contraculturas dos anos 1960 foram movimentos que realizaram uma atualização da sociedade ocidental para uma nova moralidade adequada aos novos padrões de trabalho, comércio e produção da segunda metade do século XX. Realizada esta função, se desestruturaram ou foram incorporadas no maistream, remanescendo apenas como grupos revivalistas. (ver Stuart Hall e Tony Jefferson, 1975).

De forma diferente, as subculturas atuais não visam alterações na sociedade hegemônica. Simplesmente existem paralelas a esta, compartilhando o espaço físico, mas em um espaço "separado" no aspecto cultural.

Assim, apesar da popularidade das teorias em contrário, podemos concluir que grupos sociais alternativos, significativos, substantivos e coerentes e com comprometimento dos indivíduos continuam a existir e a ter vitalidade. Há mais de duas décadas a subcultura Gótica é um bom exemplo disso.

"Através de uma redefinição do conceito de subcultura, baseada em indicadores de relativa diferenciação, identidade, comprometimento e autonomia, este livro procura prover meios para a conceitualização da cena gótica - e outros agrupamentos que escolhermos- caracterizados mais por sua substância do que pela sua fluidez. Fazendo isso, evitamos a super-generalização de superficialidade, ausência de significado e colapso de agrupamentos substantivos que, de maneiras diferentes, caracteriza tanto as teorias da cultura de massa quanto as pós-modernistas e, às vezes, até as de coletividade fluida."
(Hodkinson, 2002)

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