A Happy House in a Black Planet:
Introdução à Subcultura Gótica


14- MÚSICA GÓTICA e DARKWAVE: INFLUÊNCIAS, CLÁSSICOS, ANOS 90 e SÉCULO XXI.

Estas listagens não buscam ser nem perfeitas nem completas, mas apenas dar um panorama geral da riqueza do cenário musical Gótico/Darkwave e, principalmente, de sua renovação nas décadas de 1990 e no século XXI. Optamos por destacar estas fases pois já existe muita informação disponível sobre o Gótico dos anos 80. Quanto às vertentes EBM/Industrial, que são bem aceitas na cena Gótica/Darkwave desde os anos 80 até hoje, optamos por não nos aprofundar nelas neste texto (salvo alguns nomes isolados que são citados). A divisão cronológica é intuitiva e o autor não se incomodaria em mudá-la nem se envolverá em um duelo de espadas até a morte para defender a estrutura de uma mera representação didática.

1968-1977- as influências: glam, proto-punk, krautrock
1978-1983- pos-punk, synth, industrial, coldwave, batcave…
1983-1990- a consolidação
1991-1999- darkwave e a renovação:
2000-2008(…?)- a nova geração e as bandas brasileiras recentes

2000-2008(…?)- A NOVA GERAÇÃO e as bandas brasileiras recentes
É difícil apontar os destaques de uma década em curso. Mas, além das bandas dos anos 90 que continuam em grande forma e ativas, já podemos apontar algumas surgidas desde 99 e que se destacam: The Ghost Of Lemora, Scary Bitches, Blutengel, Diva Destruction, Katscan, Helium Vola, L'Ame Imortelle, Diorama, ASP, Unto Ashes, Darvoset, O Quam Tristis, The Vanishing, Frank The Baptist, Black Ice, Tragic Black, All Gone Dead, Anders Manga, Ego Likeness, Carfax Abbey, The Last Days of Jesus, Zombie Girl, Faun, Unheilig, Android Lust, Tristesse de la Lune, Audra, Voltaire, The Birthday Massacre, Bloody Dead and Sexy, The Chants of Maldoror, Joy Disaster, Hatesex, Scarlet Remains, Autumn's Grey Solace, Cinema Strange, New Days Delay, Cauda Pavonis, Irfan e tantas outras...
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Década de 2000

Também muitas bandas que começaram na fase anterior (ver abaixo 1991-1998) continuam em atividade e se renovando. Algumas bandas surgidas nos anos 80 também tem surpreendido com o som renovado, como são os exemplos do Clan of Xymox e Mephisto Walz, entre outras.

Enquanto isso, no Brasil, temos presenciado um florescimento de novas bandas com trabalho próprio no cenário Goth/Darkwave dos anos 00's: Plastique Noir, A Banda Invisível, The Downward Path, Scarlet Leaves, Bells of Soul, Almas Mortas, Escarlatina Obsessiva, Discotronike, Pecadores, Zigurate, In Auroram, Dead Roses Garden, Days are Nights, Ismália, Anorexic Juliet, Orquídeas Francesas, Deadjump, Knutz, Zigurate, Mundo da Mente, Jardin do Silêncio, Pianuts, Lumen, etc . Além de bandas dos anos 90 que continuam em atividade e se aprimorando como Elegia e Tears of Blood.

Ou bandas que lançaram material, atuaram neste período ou não estão mais em atividade como Back Long Arch, Der Kalte Stern, Das Projekt Krummen Mauern, Vesúvia, Mercyland, Strangeways, etc.

1991-1999- DARKWAVE E A RENOVAÇÃO
Neste período as cenas da Alemanha e dos EUA se fortificam. A Alemanha passa a sediar o maior evento Gótico mundial, o Wave Gotik Treffen, e estrutura uma micro-mídia subcultural especializada, o que vai acontecer depois também em outros países. O som eletrônico se refina com a Darkwave alemã. Nos EUA, o selo Projekt vai dar um sentido um pouco diferente ao termo Darkwave, mas o importante é que em ambos os lados do Atlântico, temos uma proliferação de bandas que fazem a felicidade de Góticos de todo o mundo, renovando e atualizando as sonoridades Gothic e Darkwave: Calva Y Nada, In Mitra Medusa Inri, Ikon, Rosetta Stone, Nosferatu, Inkubus Sukkubus, Libitina, Manuskript, Das Ich, Project Pitchfork, Bel Canto, Diary of Dreams, Hocico, The House of Usher, Sopor Aeternus, Love Is Colder Than Death, Paralysed Age, The Merry Thoughts, Still Patient, Melotron, De/Vision, In Strict Confidence, Corpus Delicti, The Last Dance, Rhea's Obsessions, Switchblade Symphony, London After Midnight, Sunshine Blind, Ex-Voto, Trance to The Sun, Lycia, The Cruxshadows, Collide, Faith and The Muse, Shadow Project, Bella Morte, Qntal, Malaise, Miranda Sex Garden, Abney Park, Beborn Beton, Absurd Minds, Fear Cult, Sanguis et Cinis, Love Spirals Downward, Children on Stun, Suspiria, La Floa Maldita, Frozen Autumn, The Eternal Afflict, Killing Ophelia, Rasputina, Love Like Blood, Faith and Disease, Girls Under Glass, etc.
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Década de 90

Bandas que começaram no final dos anos 80, como Cranes e Wolsheim se destacam nesta década, sendo que esta última permanece um ícone até o presente, arrastando multidões a seus shows. Theatre of Tragedy causa polêmica ao introduzir elementos operísticos ou metal em suas composições, em doses toleráveis aos ouvidos goth/darkwavers, um equilíbrio muitas vezes alcançado pela também polêmica banda Lacrimosa.

1983-1990- A CONSOLIDAÇÃO
O nome Gótico vinha sendo aplicado a um segmento de bandas do pos-punk há anos, mas podemos dizer que ele se fixa como um nome definitivo do meio para o final de 1983. Neste período a sonoridade pos-punk se dilui em outras influências como um rock mais acessível e sonoridades influenciadas pelo synth, coldwave e EBM. A Inglaterra foi o berço do Gótico na fase anterior, mas nesta fase já temos bandas de destaque também na França, Bélgica, Holanda, Alemanha e EUA.

Mesmo que alguns tenham surgido um pouco antes, fazem seus primeiros lançamentos nesta época: The Sisters of Mercy, The Fields of The Nephillin, All About Eve, Clan of Xymox, Dead Can Dance, The Jesus and Mary Chain, In The Nursery, This Mortal Coil, Love And Rockets, Black Tape For A Blue Girl, Nick Cave and The Bad Seeds, Ministry, Deine Lakaien, Calling Dead Roses, Marquee Moon, Invisible Limits, Trisomie 21, Poesie Noire, Collection D'Arnell Andrea, Opera Multi Steel, Kas Product, MephistoWalz, Eva O., Two Witches, Gitane Demone, This Ascension, The Creatures, Front Line Assembly, Delerium, Skinny Puppy, The Wake, Red Lorry Yellow Lorry, etc. Nesta época bandas que surgiram na fase anterior já tinham vários álbuns e faziam sucesso.

1978-1983- POS-PUNK, SYNTH, INDUSTRIAL, COLDWAVE E BATCAVE…
O nome desta fase poderia ser "tudo ao mesmo tempo agora". Todo experimentalismo produzido desde o final da década de 1960 em várias áreas da música pop e underground parece convergir para um momento de criação de "novos estilos". As bandas: Bauhaus, Specimen, Joy Division, The Cure, Siouxsie and The Banshees, Cocteau Twins, Sex Gang Children, Kirlian Camera, Alien Sex Fiend, Attrition, U.K.Decay, X-Mal Deutschland, The Damned, Einsturzende Neubauten, Malaria, Mecano, Die Form, Christian Death, Tuxedomoon, Southern Death Cult, Birthday Party, Grauzone, Kas Product, Gary Numan, Anne Clarck, Virgin Prunes, Danse Society, Play Dead, New Order, etc
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Década de 80

1968-1977- AS INFLUÊNCIAS: glam, proto-punk, krautrock
Em 1976/77 a banda Nova-Iorquina Suicide já fazia o que hoje chamaríamos de Electro-Punk, Pére Ubu já usava suas batidas tribais no seu "art-rock" e os alemães do Kraftwerk já tinham vários álbuns revolucionários no currículo. A geração Glam-Rock (1970-1975) influenciou diretamente as bandas Góticas mas, na segunda metade dos anos 70, ícones do Glam como David Bowie e Brian Eno absorveram influência do experimentalismo alemão do Krautrock (1968-1979 aprox. proto-industrial, serialismo, música cósmica, etc).
Glam Rock: David Bowie, T-Rex, Gary Glitter, Roxy Music, Brian Eno, New York Dolls, etc.
Krautrock e Proto-Industrial: Cabatet Voltaire, Kraftwerk, Tangerine Dream, Can, Neue, Throbbing Gristle, Monte Cazaaza.
Outras influências importantes do final dos anos 60: The Doors, Velvet Underground (provavelmente, ao lado de T-Rex, as duas que foram alvo de mais covers por bandas Góticas) e The Stooges. Bandas da cena punk Nova Iorquina (1975-1977) são também importantes para entender o que foi feito a seguir: Patty Smith, Richard Hell and The Voidoids, Talking Heads, Blondie, etc. E Lou Reed e Iggy Pop em carreira solo. Sem esquecer o nosso querido The Cramps. Algumas referências de "crooners" e "cantores de cabaré" são importantes, senão pelo estilo de vocal, pela temática das letras: Leonard Cohen, Jacques Brel, Edith Piaf e Johnny Cash, the man in black.
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Influências

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