A Happy House in a Black Planet:
Introdução à Subcultura Gótica
13- GLOSSÁRIO DE ESTILOS MUSICAIS RELACIONADOS À SUBCULTURA GÓTICA
Obs1: O foco deste glossário é a formação dos estilos gothic/darkwave/post-punk e "parentes" mais próximos. Obviamente, se o foco fosse a formação de outros estilos, estes estariam mais detalhados.
Obs2: Importante
ressaltar que:
a) Uma banda não tem um rótulo único. Geralmente existe
mais de um rótulo aplicável à mesma banda.
b) Na mesma época, o mesmo estilo pode receber nomes diferentes em países
diferentes.
c) Em épocas diferentes o mesmo estilo pode receber nomes diferentes
no mesmo país.
d) A mesma banda pode ir mudando de estilo ao longo do tempo ou trafegar por
vários estilos na mesma época.
Abaixo, comentamos, alguns mais longamente que outros, os seguintes rótulos/estilos
(a ordem não é cronológica):
-INFLUÊNCIAS
(1965-1977):
01- Os 60's e Glam Rock
02- KrautRock
03- Punk
-NEW WAVE/ POS-PUNK/
WAVEs (1978 em diante):
04- New Wave
05- Cold Wave e French New Wave
06- Neue Deutsche Welle (NDW) ou New Wave Alemã
07- Pos-Punk
08- Industrial
09- E.B.M.
10- DarkWave
11- Gothic
12- New Romantic
13- Death-Rock
14- Ethereal e Ethno
15- Synth-Pop
16- Trip-Hop
17- "80's"
- INFLUÊNCIAS:
01) 60's e GLAM
ROCK:
Acid-Rock, Rock Psicodélico, Folk-Rock, os restos do movimento Beat:
alguns artistas da segunda metade dos anos 1960 inauguraram elementos que influenciariam
tanto o punk como continuariam referências no pos-punk e no Gótico.
The Doors e Velvet
Underground praticamente na mesma época, em extremos opostos dos Estados
Unidos, trouxeram algo novo para o universo do rock e da música alternativa.
O estilo de poesia de suas letras, de imaginários explorados nos textos
Beat tardios de Jim Morrisson e Lou Reed se tornam referências essenciais.
A quantidade de "hinos" que essas duas bandas produziram nos seus
primeiros álbuns entre 1967 e 1969 marcou profundamente a geração
que estaria fazendo música no começo dos anos 80. Também
é curioso notar a quantidade de covers das bandas The Doors e Velvet
Underground que foram realizados por bandas Góticas e Darkwave. Sem falar
na influência óbvia de estilo e estética.
Já o Glam-Rock
existiu oficialmente de 1970 a 1975. O estilo se caracteriza por uma temática
hedonista-decadentista, (algo que já víramos no Doors e no Velvet
antes) androginia, e um Rock básico ou recheado de experimentalismo,
muitas vezes considerado proto-Punk. Mas também havia lugar para muito
lirismo, folk, cabaret e poesia.
Ex: T-Rex, New York Dolls, Iggy Pop (& Stooges), David Bowie, Lou Reed,
Roxy Music, Sweet, Slade, Gary Glitter, etc. (Obviamente muitos destes artistas
tiveram carreiras antes e depois da fase Glam-Rock).
O Glam-Rock influenciou diretamente o Pos-Punk e o Gótico, tanto na musicalidade como em suas temáticas e abordagens, sendo que muitas das primeiras bandas Góticas pareciam e soavam muito como bandas Glam-Rock. Ex: Bauhaus e Specimen.
Por exemplo, para reagir ironicamente às críticas de que era "apenas um revival glam", o Bauhaus lançou um compacto com um cover quase idêntico de "Ziggy Stardust" de David Bowie e com o símbolo facial de Bowie na capa sobre o logotipo do Bauhaus.
Não poderíamos
deixar de citar a influência transversal do "country obscuro"
e da "chanson" francesa tardia. Pelo primeiro grupo temos, por exemplo,
Johnny Cash, que além das letras voltadas para o "dark side"
ficou conhecido no final dos anos 60 como "the man in black" pois
popularizou um estilo incomum no country na época: roupa preta, longos
sobretudos negros e chapéus da mesma cor.
O poeta e escritor canadense Leonard Cohen desde seu primeiro álbum em
1967 também se tornou um ícone para a geração seguinte
de compositores. Por exemplo, o nome da banda The Sisters of Mercy e o famoso
verso "some girls wander by mistake" saíram deste primeiro
álbum.
Do lado da chanson francesa, com seu estilo decadentista de "crooners dramáticos"
temos que citar os trabalhos mais tardios de Jacques Brel, principalmente seu
álbum de despedida quando soube que iria morrer. Liza Minelli não
é uma cantora francesa e sim Americana, mas ela encarnou com perfeição
o estereótipo da "decadence" dos cabarets no musical e no filme
"Cabaret" de 1972, que marcou a geração que se seguiria.
02) KRAUTROCK
:
Krautrock é o nome que se dá ao experimentalismo no Rock alemão
do final dos anos 60 e ao longo dos anos 70. Este experimentalismo mistura rock,
psicodelia, música experimental eletrônica, música concreta,
eletroacústica, minimalismo, proto-industrial, música erudita
moderna experimental, jazz e quase tudo que se possa imaginar
O Krautrock foi influente tanto no pos-punk como na música Industrial e as tendências eletrônicas, assim como as várias tendências pos-punk, new wave, além do synth e EBM.
EX: Kraftwerk (que influenciou quase tudo que se conhece em termos de música eletrónica), Can, Neue, Tangerine Dream, Faust, Popol Vuh (responsável pela trilha sonora da refilmagem em 1979 do clássico "Nosferatu" por Werner Herzog), Cluster, Amon Düül II, etc.
03) PUNK:
Punk é um rótulo polêmico. A primeira polêmica é
se é um estilo norte americano ou britânico. Outra polêmica
é se começou em 77 ou terminou em 77...
A hipótese mais plausível é que tanto o som punk quanto o nome tenha surgido em território norte-americano. O som, a partir de bandas do final dos anos 60 como MC5 e The Stooges (de Iggy Pop). O nome a partir de uma revista/zine do começo dos anos 70. Ainda nos Estados Unidos temos a banda New York Dolls (1970-1974) que trazia uma mistura de rock básico e estilo que seria base para o Glam também. Em seguida temos uma segunda geração, ligada ao clube CBGB, que contava com grupos como Richard Hell and The Voidoids, Television, Patty Smith Group, Talking Heads, Blondie e The Ramones. Isso tudo até 1975.
Mas esse punk norte-americano era bem mais variado, com temáticas poéticas e ao mesmo tempo agressivas, líricas e suaves intercaladas com arroubos sônicos. Diferente do que ficaria conhecido como punk a partir de 1977 com os ingleses do Sex Pistols: desenvolvido por Malcoln McLarem este "punk" tem uma temática mais extrospectiva e política.
Testemunhas e relatos deixam claro que depois de não conseguir levar Richard Hell e remanescentes do New York Dolls para a Inglaterra, McLaren resolveu montar uma banda cópia deles para promover sua loja de roupas. Assim acaba um "punk" e começa "outro punk".
Obviamente muita gente levou a farsa situacionista dos Pistols a sério e criou-se algo maior que o esperado. A ética "faça você mesmo" (do it yourself, ou DIY) teve pelo menos um efeito benéfico: fazer com que muita gente que jamais ousaria tocar em um instrumento saísse de casa e conseguisse transmitir sua mensagem e, em alguns casos, se desenvolvessem como artistas. Depois o punk se dubdividiu em uma infinidade de sub-estilos que precisariam de um dicionário para serem descritos.
Mas o que nos interessa aqui é que as primeiras bandas Góticas surgiram no furor do "pos-punk", sendo que muitos dos membros da primeira geração de bandas estiveram em bandas punk anteriormente. Assim, por um período, de 1978 a 1982 aproximadamente, o Gótico é mais relacionado com o cenário Punk/Pos-Punk. Depois de 1983/1984 se constitui claramente como uma subcultura separada e autônoma, com outras influências se destacando (Krautrock, Glam, Acid-Rock, estilos Eletrônicos, New-wave, etc), e vem evoluindo e se desenvolvendo até hoje.
OBS: dica de leitura: Mate-me Por Favor, de Legs McNeil e Gillian McCain (vol I e II)
-NEW WAVE/ POS-PUNK/ GOTHIC/ WAVEs:
04) NEW-WAVE:
Um dos rótulos mais incompreedidos que existe, coitado, é "New
Wave". Talvez porque o rótulo acabou se tornando abrangente demais.
"WAVE",
em geral, acaba sendo um termo usado para as diversas "ondas" e novos
estilos que surgiram e se propagaram depois do punk e de todo o experimentalismo
dos anos 70, influenciados pela rejeição de formas consideradas
"velhas" de fazer música. Às vezes podemos encontrar
a expressão "as waves" se referindo às várias
correntes que comentamos abaixo, new wave, ndw, coldwave, gothic-wave e depois
darkwave.
A versão mais reproduzida sobre a origem do nome "new wave"
é que ele vem de "French-New-Wave", um movimento de renovação
do Cinema Francês da década de 60, representados por cineastas
como Jean Luck Godard, François Truffaut, etc. Esse movimento é
chamado em francês de "Nouvelle Vague" (nova onda, new wave).
Os filmes costumam ser mais sombrios, "noir", às vezes existencialistas
e irônicos, usando de muito simbolismo e abordando a alienação
social e psicológica do indivíduo. Como estes filmes eram muitas
vezes "independentes", as bandas "independentes" teriam
sido assim chamadas por associação. Depois o termo New-Wave adquiriu
outros sentidos.
Na musica-pop, no final dos anos 70 para o começo dos 80, o termo New-Wave começou a ser usado para designar as bandas que haviam começado em 1974/75 como Punk, mas depois seguiram um caminho experimental. Ex: Talking Heads, Patty Smith, Television, Blondie e outros da cena de Nova York.
Ícones new-romantic também podem ser classificados como new-wave (ex: Duran Duran, Visage, Culture Club), assim como fases menos "punk" de bandas do "pos-punk" (The Cure, Siouxsie and The Banshees, etc).
Alguns artistas se tornaram estereótipos New Wave exatamente por explorarem também a questão do visual e aproveitarem o surgimento do vídeo e da MTV: The Buggles, Devo, Cindy Lauper, PIL, B-52's, Culture Club, etc.
Temos ainda a versão francesa do Movimento musical New-Wave a "French-New-Wave" (algumas bandas sendo chamadas também de ColdWave) e a NDW alemã (Neue Deutsche Welle).
O movimento New-Wave, assim, de forma alguma se resumia a apenas "um povo com roupa colorida que dançava para sintetizadores".
05) COLDWAVE
e FRENCH NEW WAVE:
"A falta de perspectivas e o isolamento "entre quatro paredes"
fez a dupla Bowie/Eno criar - sobretudo em Low - texturas sonoras que eram descritas
como um "deserto futurista congelado por sintetizadores". Nascia ali
o embrião do gênero que viria a ser conhecido por cold wave ou
a facção mais fria, robótica e apocalíptica do pós-punk.
Não por acaso, o Joy Division tiraria seu primeiro batismo (Warsaw) da
faixa de abertura do Lado B de Low" (texto online de Abonico R. Smith).
Eventualmente chamado também de "Cold New Wave", ou ainda um estilo tardio de pos-punk ou de "pré-darkwave", o termo Coldwave é aplicado ao trabalho de linha eletrônica minimalista e "frio", mas sem deixar de ser dançante, usado especialmente para bandas francesas do final dos anos 70 e anos 80. EX: Opera Multi Steel, Trisomie 21, Collection D'Arnell~Andrea, Guerre Froide, Clair Obscur, Kas Product, Asylum Party, Barroque Bordello, Little Nemo, Norma Loy, etc.
Além de Gary Numan, também Cabaret Voltaire, a fase "Faith" do The Cure, Cocteau Twins, Dead Can Dance e algumas fases de Siouxsie and The Banshees são citados como ColdWave.
Mais tarde o termo Darkwave foi aplicado retroativamente a muitas destas bandas, sendo que por associação o termo Gótico e Darkwave acabam sendo usados paralelamente.
Cuidado: existe
um segundo sentido de Coldwave, totalmente diferente deste, usado principalmente
nos EUA e que se refere a um ramo de Industrial-Rock.
06) NEUE DEUTSCHE WELLE (NDW):
Na Alemanha temos a Neue Deutsch Welle (NDW - Nova Onda Alemã, German
New-Wave), que ia desde um lado mais experimental até outro mais comercial.
Do lado mais experimental é comum listar bandas que encontramos também
catalogadas como Industriais ou Góticas: Malaria, X-Mal Deutschland,
Einsturzende Neubauten, etc. Temos bandas como o Liaisons Dangereuses que podem
ser consideradas o "elo perdido" entre o pos-punk, eletro e o que
viria a ser chamado de EBM/Industrial.
Do lado mais comercial: Falco, Trio, Spyder Murphy Gang, Nena, etc.
Definitivamente, uma música de temáticas noir, mas com abordagem pos-punk usada com elementos eletrônicos. Podemos traçar um paralelo com a Cold Wave francesa, mas em um país que foi o berço do experimentalismo do Krautrock, tendo uma influência mais forte deste.
Obs:Assim, considerando todas as variantes do uso desses rótulos, fica mais fácil entender a mistura desde os anos 80 entre o público e som Gótico, DarkWave e NewWave nas casas noturnas paulistanas chamadas de "góticas".
07) POS (T)-PUNK:
Positive-Punk (ou Posi-Punk) e Pos-Punk não são a mesma coisa.
Não vamos
entrar em detalhes em um glossário, apenas basta saber que o rótulo
Positive Punk (ou Posi-Punk, com "i") foi usado pela imprensa inglesa
por um período durante 1983, mas este rótulo foi abandonado com
o "boom" "Goth" logo a seguir. (mas positive punk não
é também sinônimo de Goth).
Pos-Punk (ou Post-punk, com "T") é um termo que abrange bandas
de diversos estilos e tendências, sendo às vezes difícil
estabelecer a fronteira com outro termo genérico, a New Wave. Assim o
essencial é saber que o "Pos-Punk" é um conjunto maior
que continha várias tendências, e o Gótico foi apenas uma
delas no período de 1978 a 1983 aproximadamente. Assim, nem toda banda
Gótica é pos-punk, e nem toda banda pos-punk é Gótica.
A abordagem do
pos-punk já era diferente do punk: mais introspectiva, onírica,
sensível e irônica, mas sem perder o humor-negro. As temáticas
eram variadas, usando de todo repertório Pop como metáfora para
comentar questões cotidianas. O Pos-Punk, como termo genérico,
definia um leque grande de estilos, com base comum nos princípios do
minimalismo, experimentalismo e outros comuns ao punk, o glam-rock, new-wave,
NDW, Industrial, synth e o punk-glam, misturando ainda ritmos latinos, tribais
e da black-music. Ou simplesmente tudo que soasse minimamente "novo"
depois do punk.
Exemplos de Bandas consideradas tanto Góticas como Pos-Punk: Bauhaus,
Alien Sex Fiend, The Damned, Sex Gang Children, Malaria, The Cure, X-Mal Deutschland,
Siouxsie and The Banshees, Birthday Party, Nick Cave, Specimen, Joy Division,
etc.
Obviamente muitos dos fans das bandas Góticas pos-punk não eram Góticos, da mesma forma que muitos Góticos gostavam (e gostam) de bandas pos-punk que não são Góticas. O que explica porque bandas novas do revival pos-punk que acontece no começo do século XXI são bem recebidas pelo público Gótico.
Resumindo, podemos
dizer que a partir de 1983 o termo Gothic se fixa, sendo aplicado também
retroativamente.
08) INDUSTRIAL:
O Termo "Industrial" teria sido sugerido pelo músico e performer
Monte Cazazza: "música industrial para pessoas industriais".
A idéia era uma "não-música" que satirizasse
o mundo Industrializado. Influenciados por experiências feitas na música
erudita experimental ao longo do século XX, um dos resultados foi o Industrial
que surgiu em meados dos anos 70, principalmente ligado ao selo Industrial Records.
No final dos anos
70, na Inglaterra, os mesmos conceitos eram desenvolvidos pelos pioneiros do
Throbbing Gristle, do Cabaret Voltaire e do Clock DVA.
Industrial constituía em buscar fazer algo "musical" sem melodia
ou mesmo sem instrumentos, usando de objetos cotidianos e/ou industrializados.
As sonoridades podiam ser tanto extremamente delicadas quanto totalmente perturbadoras
e agressivas.
Em 1980, surge um dos Ícones do Industrial, a banda alemã Einsturzende Neubauten. Com o tempo, algumas bandas vão mesclando o estilo com outros, e surge o Industrial-Rock, como o caso da banda Nine Inch Nails, mas inicialmente ainda guarda ligação com o estilo original.
Logo cedo bandas
de Industrial incorporaram os novos experimentalismos eletrônicos, sendo
que é comum encontrarmos grupos que transitam nas misturas Industrial/EBM/
Synth-Pop/ Electro. O Industrial tem origens bastante próximas ao EBM,
e às vezes os estilos se confundem.
Bandas importantes: Das Ich, Skinny Puppy, Front Line Assembly, The Young Gods,
etc.
Mais recentemente, ao longo dos anos 90, se popularizou um outro estilo chamado
"Industrial", com muitos elementos de Metal, mas que não tem
mais quase nada da experimentação do Industrial original. Tais
bandas são chamadas de Industrial-Metal.
Mas ainda podemos
encontrar bandas que fazem hoje um som Industrial mais tradicional.
09) E.B.M. (Eletronic
Body Music):
EBM é outro dos estilos surgidos do experimentalismo eletrônico
dos anos 70, guardando sempre grande intercâmbio com o Industrial e gerando
sub-gêneros. O maior Ícone é a banda FRONT 242. Outras são
Nitzer Ebb, Klinik, Neon Judgement, Skynny Puppy, Front Line Assembly, Leather
Strip, Wumpscut, Hocico, etc.
Como pode ser visto no ítem sobre Industrial, não é fácil estabelecer uma fronteira clara entre os estilos. Também ao longo dos anos 80 e 90 a "EBM" incorporou experências com vários outros estilos, incluindo elementos electro, breakbeat, synth e até mesmo trance e techno, gerando desde sonoridades altamente experimentais quanto, por outro lado, estilos que fazem a felicidade de clubbers pelo mundo todo.
Da mistura de EBM,
Synth-pop e elementos de Trance (ou outros estilos bastante eletrônicos,
dançantes e pops) surgiu no final dos anos 90 o chamado "Future
Pop".
10) DARKWAVE:
Este é um dos rótulos mais controversos. Existem pelo menos três
significados mais difundidos para DarkWave:
a) DarkWave foi o rótulo utilizado para bandas principalmente alemãs do começo da decada de 90, mesmo que depois algumas delas tenham enveredado por estilos que hoje recebem outras classificações. Ex: Project Pitchfork e Das Ich. O termo acaba sendo usado hoje para grupos que trafegam do synth-pop ao EBM/Industrial, mas abusando de temáticas, climas e vocais que os aproximam do Gótico e da Coldwave. EX: Deine Lakaien, Diary of Dreams, Wolfsheim, Diorama, Clan of Xymox (depois de 2.000, principalmente), etc.
b) No Começo
dos anos 90 a gravadora norte-americana Projekt começou a usar o termo
DarkWave para definir seu catálogo. Como esse catálogo incluía
muitas bandas similares a Cocteau Twins, Dead Can Dance e sonoridades Ethereal,
estes estilos passaram a ser chamados também de Darkwave. Por extensão,
passou-se a chamar de DarkWave retroativamente a bandas dos anos 80 que tinham
estilo semelhante a Coldwave e que na verdade influenciaram a DarkWave dos anos
90. Ex: bandas francesas como Opera Multi Steel, Collection D'arnel Andrea e
as duas bandas Inglesas já citadas. Bandas que começaram fazendo
uma New-Wave mais alternativa ou "obscura" passaram a ser incluidas
neste rótulo. Muitas bandas do estilo Ethereal também acabam sendo
colocadas nesta classificação:
Ex: Black Tape for a Blue Girl, Love Spirals Downward, Lycia, Bel Am. etc, Reclassificadas
retroativamente: Cocteau Twins, Dead Can Dance, Opera Multi Steel, etc.
c) Se bandas como Cocteau Twins e This Mortal Coil foram lançadas pelo mesmo selo que Bauhaus (4ad), também acabou se usando o termo Darkwave para todo o Gótico que não fosse muito "Rock". Algo como uma "New-Wave mais obscura". Assim, em alguns casos, Darkwave é usada quase como sinônimo de Gothic. Além disso, bandas como The Cure (principalmente de 81 a 83) e Cocteau Twins, só para dar dois exemplos, na mesma época trabalhavam com sonoridades muito próximas (Coldwave ou "góticas" na opinião de alguns).
Esses 3 sentidos às vezes se complementam, às vezes se confundem
Às vezes, também, em vários países, o termo "Darkwaver" é usado pelas pessoas como auto-definição para se classificarem como "verdadeiros Góticos" em oposição aos "góticos comerciais da MTV", dos fãs de Marylin Manson, Nu-Metal ou dos Gothic-Metallers
11. GOTHIC:
"GOTH", Gothic, ou Gótico não é exatamente um
estilo musical, mas uma abordagem e conjunto de características que podem
ser aplicados a vários estilos musicais "wave" ou "pos-punk".
Assim podemos ter bandas Góticas fazendo Eletro-Goth, Synth-Goth, Gothic-Rock,
Pos-Punk-Goth, "Gothic" Darkwave (apesar desta ser quase uma redundância
.),
Ethereal Gothic, etc.
Também nem toda música "gótica" é rock. O Rock'n'Roll é apenas um dos inúmeros gêneros musicais usados como veículo do estilo e subcultura Gótica.
O Goth/Gothic se tornou muito mais que um gênero musical: uma subcultura e um estilo de vida que acabam caracterizando até outros gêneros musicais (desde que estes não sejam estéticamente - musical e liricamente - incoerentes com o que significa Gótico no nosso contexto). EX: Electro-Goth, Darkwave, Deathrock (apesar deste existir também como cena em separado), Ethereal, Ethno, Gothic-Industrial, Pos-Punk, etc.
Alguns exemplos de bandas Góticas de vários estilos musicais: Switchblade Symphony, Clan of Xymox, Bauhaus, Faith and The Muse, Siouxsie and The Banshees, Nosferatu, London After Midnight, Opera Multi Steel, The Ghost of Lemora, Cruxshadows, Blutengel, Paralysed Age, Diva Destruction, Ikon, Corpus Delicti, Sisters of Mercy, Poesie Noire, etc..
Apesar de usos anteriores entre 1967 e 74, os primeiros usos "oficiais" do adjetivo "Gothic" foram no final da década de 70 para bandas como Bauhaus, Joy Division e Siouxsie and The Banshees, que eram tambem chamadas nessa época de pos-punk.
O Gótico
continuou seu desenvolvimento ao longo dos anos 90 e no seculo 21, desenvolvendo
cenas em todas as latidudes e longitudes.
12) NEW ROMANTIC:
Tudo começou no Blitz Club
No começo dos anos 1980 o estilo New-Romantic foi uma tendência
ligada a New-Wave baseado inicialmente no clube londrino Blitz (desde 1979)
e muitos outros. O estilo New-Romantic que conviveu e influenciou muitas bandas
chamadas Góticas ou Death-Rock, sendo que características do New-Romantic
foram incorporadas à estética Gótica, ou, vendo de outro
ponto de vista, se desenvolveram juntas.
Musicalmente, a
principal diferença entre o New Romantic e o Glam-Rock (cuja influência
é óbvia) é que enquanto o Glam-Rock tinha uma sonoridade
mais orientada para a guitarra e o rock, o New Romantic era mais orientado para
bases electropop, sintetizadores e para as pistas de dança.
O New-Romantic se caracterizava por uma espécie de ultra-individualismo
dândi, expressado por roupas super "chiques" (mas geralmente
modernizadas), maquiagens ultra radicais e por uma música hedonista e
dançante. Os ícones eram David Bowie e Duran Duran. Lembram do
visual e do som destes dois no começo dos 80's ?
Outras bandas importantes:
Classic Noveaux, Visage, Depeche Mode (principalmente no começo), Soft
Cell, Gary Numan, Culture Club, Adam and The Ants, Spandau Ballet, Japan, Ultravox.
etc
13. DEATH-ROCK:
O termo "Death-Rock" surge nos Estados Unidos aproximadamente em 1981
com a banda Christian Death. Depois, quando o termo Goth se firma na Inglaterra,
"Death-Rock" passa a ser usado também lá para as bandas
"pos-punk/Góticas" mais "punk-góticas". Enfim,
os Góticos tendem a considerar a maioria delas Góticas também,
apesar de muitos deathrockers rejeitarem a associação.
O Death-Rock pode ser visto tanto como uma cena à parte ou como uma parte do Gótico. Historicamente, seria o lado do Gótico mais ligado ao Punk-Rock, mais escrachado, irônico, decadente, circense e ligado a um clima de cabaré dadaísta. Não que estas referências não estejam no Gótico em geral, mas no Death-Rock elas são muitas vezes exageradas e levadas ao extremo. Mas sem perder um certo tom existencial ou nihilista.
Ex: Alien Sex Fiend, Sex Gang Children, Cristian Death, Cinema Strange, The Last Days of Jesus, Bloody Dead and Sexy, Tragic Black, etc.
Dentro do Death-Rock existem várias subdivisões e variantes. Algumas se aproximam mais do Gótico, se tornando difícil distinguí-los enquanto outras se afastam do Gótico, chegando até a um punk-hardcore de temática de Horror.
Considerada como cena à parte, o Death-Rock pode incluir tendências que não são aceitas na cena Gótica, da mesma forma que várias tendências Góticas são paradoxalmente repudiadas por deathrockers como "não-góticas". Realmente é um casamento complicado
Aqui abordamos
apenas o Death-Rock do ponto de vista da cena Gótica.
14) ETHEREAL e ETHNO:
Nas subdivisões da Darkwave, temos o Ethereal, conhecido por suas melodias
lentas e delicadas e seu clima onírico. Pode ter base eletrônica
ou acústica, confundindo-se com o Ethno, se explorar ritmos ou melodias
Ethnicas, ou seja, rítmos e instrumentos músicas tradicionais
de outras culturas (não-européias).
Exemplos: Cocteau Twins, Dead Can Dance, Lycia, Theodor Bastard, Bel Am, Bel Canto, Collection D'Arnell Andrea, Love Spirals Downward, Love is Colder Than Death, This Ascension, Black Tape for a Blue Girl, etc.
É importante lembrar que Ethereal e Ethno não são simplesmente música folclórica, nem apenas "música clássica ou suave" e também não são sinônimos. Apesar de ser comum encontrarmos elementos de Ethno no estilo Ethereal e vice-versa, existem inúmeros trabalhos que são puramente Ethno ou Ethereal. Existem ainda trabalhos que misturam qualquer um destes dois estilos com outros estilos diferentes, como por exemplo, Synth-Pop, Electro, New-Wave e etc.
Muitas bandas deste estilo são classificadas também, em outros contextos ou outras cenas, como Medieval, World Music, New Age, Shoegaze ou Dark-Ambient.
Como já
explicamos no ítem Darkwave, o selo Projekt popularizou o termo Darkwave
como relacionado ao Ethereal. Assim, podemos encontrar às vezes o termo
"ethereal-darkwave" como forma de explicar a qual sentido de Darkwave
estamos nos referindo.
15) SYNTH-POP:
A principal influência do Synth-Pop foi a música dos krautrockers
alemães do Kraftwerk (desde a década de 70).
Exemplos de Synth-Pop dos anos 80: Soft Cell, Gary Numan, Pet Shop Boys, New Order, Information Society, Depeche Mode.
No final dos anos 60 surgiram as primeiras músicas feitas com sintetizadores. As experiências em música eletrônica, que estavam apenas na música erudita, começam a aparecer na música Pop. Por isso muitos dos primeiros a produzir música "sintética" ("synth") eram indivíduos com formação erudita.
O experimentalismo
eletrônico se espalha e se mistura com o Jazz e o Rock, como no caso do
KrautRock (ver item 1).
O uso de elementos eletrônicos minimalistas também foi elemento
de constituição da Cold Wave (parte mais "robótica"
do pos-punk), da New Wave e praticamente todos os estilos eletrônicos
posteriores, como EBM, Darkwave, DarkEletro, Eletro-Goth, Futurepop e outros.
16) TRIP-HOP:
A data "oficial" de batismo do Trip-Hop é 1995, quando jornalistas
precisavam de um novo termo para nomear toda uma corrente de música eletrônica/pop
experimental, especialmente da cena local das cidades de Bristol e Portishead
na Inglaterra.
1994 é o ano do emblemático album "Dummy" da banda Portishead, que traz todos os elementos básicos do estilo de forma bastante clara. Mas mesmo sem nome, o estilo está entre nós desde a virada para os anos 90. Por que o nome "Trip-Hop"?
A parte "-Hop" vem de "Hip-Hop", pois a maioria das rítmos experimentais deste gênero vinha de alterações ou quebras de bases hip-hop (claro que há outras influências). A parte "Trip-" vem do termo "viajar" (" trip ", em inglês) devido a forte influência de sons "viajantes" do Jazz experimental, Jazz-swing e Darkwave (às vezes, Ethereal). Outra influência é a de trilhas sonoras de filmes, especialmente os de base jazzística antigos.
Bandas Góticas
e Darkwave foram influenciadas pelo gênero. Ex: Switchblade Symphony,
Ego Likeness, Bel Canto, Qntal, O Quam Tristis, etc.
17) "80's":
O Gótico começou e teve um "boom" nos anos 80, mas nem
tudo o que foi feito nos anos 80 é Gótico.
O rótulo "80's" não deve ser usado como sinônimo
de "Gótico 80's" ou "Gótico Old-School" simplesmente
por que o termo "80's" se refere a toda música pop ou alternativa
produzida nos anos 80. Pode incluir bandas Góticas ou não. Por
exemplo, é possível fazer uma festa "80's" sem tocar
nenhuma banda Gótica.
Algumas festas Góticas, por outro lado, costumam incluir "80's"
nas suas programações devido a similaridade de estilo e sonoridade
com o Gótico 80's.