Veja também Pink Turns Blue no ABC de Bandas
PINK
TURNS BLUE - "A Fénix"

PASSADO
"Felicidade transformada em tristeza" é a ideia por trás
do nome de baptismo retirado de um tema clássico dos Hüsker Du,
quando da formação da banda em 1985. Alinhados por Mic Jogwer,
Brigid Anderson, Louis Pavlou, Reini Walter e Marcus Giltjes e oriundos de Berlim,
esta Fénix do cenário Gothic Rock esta de volta e mais vigorosa.
Mic auto-define a sonoridade da banda como "Dark Romantic Gothic Rock"
e explica como chegar a essa conclusão: "Todas as canções
detêm a aspereza original do Rock´n´Roll combinada com uma
espécie de alma "dark", soma-se a isso atmosferas muito profundas
e tristes, vocais poderosos e guitarras expressivas e ruidosas." Entretanto
há alguns ingredientes do som que os aproximam da música Indie,
facto este que é aceito com naturalidade. "Sempre tivemos uma aproximação
com este estilo em nossa atitude. Somos uma "guitar band", logo temos
raízes em heróis como The Velvet Underground, Joy Division, The
Cure, Siouxsie and The Banshees, Bauhaus
e obviamente temos alguma relação
com bandas como Interpol e Placebo, ou tantas outras que relatam as mesmas influências
sonoras." Quando questionado sobre a importância da actividade literária
engajada em temáticas sociais usualmente utilizadas pelo quinteto; obtivemos
a seguinte resposta: "Obviamente o Mundo não quer mudar. No século
passado esperavam um milénio filosófico em paz e harmonia, porém
somente o inverso aconteceu. Actualmente temos mais fome, guerras, poluição
e crueldade. São razões que nos transportam para a tristeza, irritação
ou vergonha sobre nossa existência."
RENASCIMENTO
Mic descreve o momento exacto em que o pássaro renasceu após 10
anos no silêncio das cinzas dos êxitos editados na década
de 80. "Tudo aconteceu por acaso. Brigid e eu tínhamos um pequeno
projecto gótico chamado Orden e nos encontramos com Thomas Görnert,
promotor do Wave Gotik Treffen em Leipzig. Partiu dele a ideia de um concerto
que reunisse os integrantes do Pink Turns Blue. O sucesso foi tão grande
que decidimos escrever novas canções e executar uma pequena digressão."
Após este bem sucedido regresso, a Orden Dark Art Prod. lançou
o primoroso álbum "Phoenix" em 2005, que atingiu a 3ª
posição na DAC pelas máximas 8 semanas e recebeu outras
excelentes resenhas pela imprensa especializada. "Foi surpreendente! Nunca
esperávamos um retorno tão receptivo por parte da imprensa. Aparentemente
nosso som foi uma boa alternativa para as muitas bandas Electrónicas,
Medievais e de Gothic Metal do cenário. Não há muitos projectos
originais, a maioria baseados em conceitos já pré-definidos e
bem aceitos, que, em determinado momento; começam a se tornar chato quando
se ouve 2 ou 3 de cada um."
"Nos anos 80 nosso som era fresco, provocante, experimental e novo para
a maioria das pessoas. O som tinha uma relação firme e directa
com o lado sombrio de nossas vidas. Actualmente, a música "dark"
é um cliché para entretenimento; mesmo assim a atitude ainda existe,
mas boa parte da inovação foi perdida. É verdade também
que a nossa cena, assim como outros géneros musicais tem se transformado
visualmente; porém não pensamos que isso seja mau; por outro ponto
de vista, os fãs tornaram-se mais criativos do que a maioria dos músicos
que repetem os velhos estereótipos de 20 anos." Estas são
as palavras em relação as diferenças musicais e a orientação
cada vez mais "blue turns pink", principalmente nas tendências
visuais actuais.
PRESENTE
E FUTURO
Uma outra prova desta ascensão da Fénix foi a sua Jubilee Ball
que antecedeu o WGT 2006, onde o Pink Turns Blue esteve no mesmo palco que 15
mitos a representar os temas da banda. "Nós amamos fazer algo especial.
Foi espectacular criar algo único e com alguns dos mais fortes e influentes
nomes do cenário alternativo mundial
Dos novos Combichrist, The
Birthday Massacre e Frank The Baptist, assim como mestres como The Mission,
Clan Of Xymox, Das Ich, Deine Lakaien
"
Sobre o anunciado concerto da banda para o passado Halloween na cidade do Porto
que infelizmente foi cancelado, Mic esclarece que os integrantes da banda moram
em diferentes localidades dentro da Europa (Londres, Berlim, Hamburgo e Colónia)
e cada um possui seus trabalhos pessoais; que resulta numa destacada dificuldade
para se realizar um concerto sem planeamento maior. Afirma que possui muita
vontade de participar de festivais, eventos especiais e curtas digressões
para cada álbum editado, porém é necessário um projecto
com bastante antecedência. Contudo Mic deixa como promessa a tentativa
para um concerto em Portugal para 2007.
"Phoenix" foi reeditado pela Strobelight Records em 1º de Novembro
para que este óptimo trabalho chegasse ao resto do Mundo, visto que a
Orden só distribui dentro da Alemanha, Suiça e Áustria.
Mic Jogwer pretende oferecer sua editora e começar a editar seus novos
álbuns através da chancela de um selo como a Strobelight, segundo
ele; uma editora que ama a obscuridade, a orientação das guitarras
e que não coloca barreiras para a originalidade e autenticidade. Quanto
a outros projectos para o futuro, eles já trabalham num outro álbum
de inéditas que terá alguns elementos Indie, mas ainda assim obscuro
e romântico.
Por
nossa parte ficam os votos para que esta Fénix, assim como na mitologia,
possa viver longos anos após seu renascimento e com a capacidade de transportar
as mais pesadas cargas durante seus belos e sombrios voos.

Matéria:
Luiz Soncini
Publicada: Elegy Ibérica Magazine nº 5 (Dec 2006)
Fotos: Matthias Dahl