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LEANDRA - "Caixinha de Sonhos".
Matéria e Fotos: Luiz Soncini

Assim como na infância; cada reminiscência, cada descoberta e cada tecla do piano premida foi minuciosamente retratada e absorvida pelo até então oculto diário registado por esta virtuosa e inventiva artista. Esta compilação de sonhos e fotografias agora descoberta é disponibilizada neste recém-editado álbum “Metamorphine”. Abre também a secreta caixa de música do teu consciente e deixa a bailarina bailar neste sensorial sonho chamado Leandra…
Li sobre seu brilhante histórico musical desde a infância. Fala-nos sobre isso?
Eu toco piano desde os 3 anos. Meus pais colocaram-me num conservatório aos 6 anos e os professores consideravam-me tão talentosa que me forçavam a participar de competições. Quando completei 9 anos já tinha composto minha primeira obra clássica e ganho o primeiro prémio numa disputa na Bielo-Rússia. Aos 12, fui para a Alemanha onde estudei ainda mais e descobri que havia algo além da Música Clássica. Então comecei a encontrar outros alvos e me dissociar daquela sonoridade conservadora. Juntei-me a Rya, projecto que compartilhava dos mesmos sentimentos, e ficamos juntos por alguns anos, período no qual escrevi as primeiras canções para Leandra. Quando Rya acabou, eu ainda sentia o cheiro do sangue do Rock´n´Roll e assim entrei para os Jesus on Extasy.
Quais as diferenças e sentimentos entre Ophelia Dax dos Jesus on Extasy e Leandra?
Leandra é a minha face mais hiper-sensitiva. Ela vê o mundo com os olhos de uma criança e descobre coisas novas todos os dias. Dessa forma cada impressão torna-se realmente trágica e inspiradora. Ophelia Dax é mais vulgar e vive a vida do Rock´n´Roll e não tem a inocência infantil de Leandra. A única semelhança entre ambas é viver intensamente.
Percebo algumas referências em tua sonoridade. O que podes dizer sobre Tori Amos, Emilie Autumn, Björk, Dresden Dolls e Mila Mar.
Não tenho muita consciência sobre minhas influências, mas posso dizer que não escuto muito estas artistas; pois ainda ouço muita música clássica. Sinto-me honrada ao ser comparada a Tori Amos, visto que é uma das maiores artistas da actualidade. O mesmo posso dizer de Björk. De Emilie Autumn conheço somente o tema “OpheliaC”, que é excelente; mas não consigo ver semelhanças com as minhas canções… ela é muito mais agressiva e com distorções na voz. Gosto, mas não é o estilo musical que usaria em Leandra. Quando tocava em Rya estive em digressão com Mila Mar e posso dizer que a voz de Milu me inspirou bastante. Guardo lembranças maravilhosas deste período. Eu amo Dresden Dolls!

Fala nos sobre as expectativas para o lançamento de “Metamorphine”?
Espero que os ouvintes possam perceber os retratos extraídos em minhas canções, que expandam a sua consciência e abram portas em suas mentes que dificilmente se fechem. Desejo que as pessoas descubram os abismos de suas personalidades e reflictam sobre eles inspirados por este musical e secreto diário que eu tenho escrito…
Há algumas participações especiais neste álbum. Fala nos sobre o curioso convite a Sven Friedrich (Zeraphine, Dreadful Shadows)?
Há alguns anos atrás eu estava numa viagem pela Irlanda quando sonhei com Sven. Nós tivemos uma espécie de diálogo de pensamentos, o que foi muito impressionante e instrutivo para mim. A melodia de “The Art of Dreaming” surgiu durante este diálogo. Alguns meses depois vi Sven pela primeira vez e o reconheci como meu parceiro daquele sonho. Não pensei duas vezes para convidá-lo para um dueto. Afinal ele tem a voz perfeita e foi parte da inspiração para este tema.
Por falar em arte de sonhar. Quais são os sonhos de Leandra?
Todos temos realidades em limites particulares e eu também tenho as minhas. Os sonhos são fascinantes por trabalhar inconscientemente. Há pessoas que as vezes rastejam pelos sonhos dos outros, a fim de perturbá-los ou simplesmente visitá-los. É também possível viajar para os sonhos e encontrar pessoas para troca de ideias. Por isso tento dormir tanto quanto seja possível; pois é algo que me deixa criativa, desobstruída e faz minha percepção ainda mais sensitiva.

Para além dos temas “The Art of Dreaming” e “Coloured”; gostei bastante de “Tyberi Folla”. Em que língua esta música é cantada? Quais são as mensagens?
Tyberi Folla fala de 2 seres astrais, professor e estudante, que discutem sobre a textura do ar. É uma linguagem fantasiosa que uso raramente quando não posso encontrar palavras existentes para descrever um retrato. Eu falo quase 5 línguas diferentes, mas as vezes não há termos suficientes para expressar coisas particulares; assim tenho que usar neologismos frequentemente.
Para além do virtuosismo musical, falas 5 línguas. Quando aprenderás o português?
Oh, claro! Tão logo termine de aprender Klingon! ;-)
Quais são os nomes dos teus 6 gatos? Há outros animais na vida de Leandra?
Zaphod, Humunculus, Absurda, Schopenhauer, Mursik e Azraelle. Cada um deles é único e dotados dum sexto sentido pelo qual posso me comunicar. Há animais que vivem na floresta ao redor da minha casa. Entretanto meus gatos os comem na maior parte das vezes, assim infelizmente não tenho como criar uma relação com esses. ;-)
Últimas mensagens...
Oh! Quero dizer que o truque para aprender a voar é mais fácil do que se imagina: apenas caía e esqueça de tudo! ;-)
Entrevista e Fotos por Luiz Soncini (fotos tiradas durante o Wave Gothic Treffen)