Tonyy e Fábio De Martin são o DER KALTE STERN e nos concederam esta entrevista em Novembro de 2008.
Veja também Der Kalte Stern em nosso ABC de Bandas



1-Em relação ao Der Kalte Stern do final dos anos 1990 o Der Kalte Stern de 2008 está diferente musicalmente?

Tonyy- Ainda não estamos compondo novas faixas. A diferença por enquanto fica por conta de algumas versões "atualizadas", como por exemplo "Silent Garden" e "Desertos" , e um cover "surpresa" no lugar dos que fazíamos de Dead Can Dance e Depeche Mode.

De Martin- Me lembro muito bem do tempo que foi gasto para a gravação do DG (nota: Doppelganger, primeiro Cd do Kalte Stern) em 1996. É estranho comparar as tecnologias utilizadas atualmente para composição, gravação, mixagem e masterização com as que foram utilizadas na época. Na época, poucas bandas brasileiras já haviam conseguido explorar tanto a utilização de dispositivos MIDI como fizemos no DKS e, hoje em dia, as possibilidades técnicas e o conhecimento adquirido desde o lançamento do DG com outros projetos, naturalmente vão influenciar os novos trabalhos caso venham a ocorrer.

2- O album Doppelganger do Der Kalte Stern foi lançado em 1997 e permanece um clássico das pistas e cdtecas etherel/ethno/electro-darkwave do Brasil. Podemos ter esperança de um novo álbum do Der Kalte Stern em breve?

Tonyy- Sim, é bem provável. Eu e o Fábio finalmente superamos uma longa fase de excesso de trabalho, e agora poderemos voltar a dedicar mais tempo ao DKS.

De Martin- Me dá um grande prazer saber que o DG ainda é um clássico e ainda há muita gente que admira o trabalho inclusive fora do Brasil. Apesar do pouco tempo pra dedicar, acho que é bem provável que possa surgir algum material novo em breve. Na minha opinião, talvez, não no formato tradicional de "álbum". Lançar um álbum não é um trabalho fácil principalmente com tanta facilidade de troca de arquivos pela internet. O importante é divulgar... acho bom para o músico e bom para o ouvinte.

3- O Der Kalte Stern continua com a mesma formação?

Tonyy- Sim. E nesse show de "retorno" teremos a participação do baixista Luiz Canallonga, que já fez vários shows com a gente, e do guitarrista Reinaldo Andreatta (My New Device).

De Martin- É, acho o Canna e o Rey caras de muito talento. Quando comecei a me interessar a fazer música eles já estavam na estrada. O Sufrágio (Sufrágio d'Alma no início da década de 90), banda fundada pelos irmãos Andreatta e da qual eu e o Canna participamos, já tem mais de 20 anos de estrada. Vai ser legal ter os dois no palco conosco. Só como referência, Desertos é uma composição que fiz em parceria com o Reinaldo no início da década de 90 e que depois adaptamos pro DKS.

4- Como é o método de composição e trabalho "em grupo" da banda hoje em relação a década passada? A tecnologia de comunicação resolveu o probema da distância entre Tonyy e De Martin?

Tonyy- Como eu respondi anteriormente, ainda não voltamos a compor faixas novas, mas nesses ensaios recentes, e durante as "remixagens" de algumas faixas antigas, sentimos que a afinidade continua fluindo como antigamente: realmente somos almas gêmeas musicais... Nosso "processo" de composição provavelmente continuará o mesmo: o Fábio me mostra uma melodia, eu pego papel, caneta, e transformo em letra os sentimentos que aquela melodia me traz.... e quinze minutos depois a música está pronta... hehehe.

De Martin- Nem era tão distante assim... o Tonyy morava no Ipiranga e eu em SBC. O cara estava sempre lá em casa babando com alguma letra ou idéia nova.... hahaha... Tecnologia é importante para a composição do DKS mas não dá pra abrir mão do trabalho em conjunto. É muito mais produtivo e dá mais vida pro resultado final.

5- Antes do Der Kalte Stern, Tonyy teve outro grupo antes, o Arcane. Nos fale um pouco sobre essa passagem e que mudou de um projeto para outro.

Tonyy- Foi inesperada e simples. Infelizmente o Arcane se "apagou" em pouco tempo. Numa certa noite, o Fábio me mostrou uma versão que ele tinha feito prá uma música do Arcane, e tinha ficado muito melhor que a original... uma semana depois estávamos compondo, e três meses depois fizemos nosso primeiro show. Além disso houveram mudanças "técnicas" gigantescas, e como um todo, o DKS foi para mim uma evolução, musical e poética.

De Martin- É... bons tempos. Acho que o Tonyy estava discotecando no Retrô. Nem sei pq eu fiz isso... era uma versão tosca de Temps Perdu do Arcane e o cara gostou. Na realidade, poucos meses depois já estávamos com o álbum pronto pra gravar. Foi muito legal.

6- De Martin e Tonyy desenvolveram ou continuam desenvolvendo outros projetos musicais além de Der Kalte Stern nos últimos 10 anos?

Tonyy- Eu parei quase que completamente de compor, exceto pelo meu trabalho como produtor e "remixer". O Fábio voltou por uns tempos com seu antigo projeto "Sufrágio", e com o recente "My New Device".

De Martin- Eu fiquei alguns anos sem tocar até que o Reinaldo me chamou pra mixar o último álbum do Sufrágio (http://www.lastfm.com.br/music/Sufragio/People+Are+Just+Some+Part+Of+Your+Head). Desde o início de 2008 estou participando de um projeto com eles chamado My New Device (http://www.lastfm.com.br/music/my+new+device/Pink)

7- O Tonyy é fã do Manfred Mann e de Bongôs? :-)

Tonyy- Tonyy é fã de New Kids On The Block, e De Martin é fã de Daniela Mercury... hahahahaha !

De Martin-Que é isso camarada!?!? Daniela Mercury? Hahaha...

8- Como você vê o cenário de bandas Eletro/Góticas/Darkwave/Pos-Punk brasileiras de hoje, da "geração myspace" em comparação com a geração de meados dos anos 90 ?

Tonyy- Estranho... Se por um lado, temos excelentes releituras das raízes disso tudo e sonoridades realmente novas, pelo outro ainda existem os trevosos equivocados jurando que Evanescence é goth... isso me deixa bem entediado.

De Martin- Fora os equívocos que o Tonyy menciona ainda acho que a maioria (não todos, é claro) não se deu conta que desde os anos 80 muita água já rolou. Falta um pouco de ousadia. O DG foi um trabalho bastante ousado para a época e para a cena que existia na noite de SP e lembro bem que não era sempre uma relação de amor com o público em nossos shows. Acho que fazer música é arriscar... não é fazer sempre exatamente o que o público quer ouvir.

9- Quais os momentos mais marcantes da banda para vocês? Quais os shows que são inesquecíveis?

Tonyy- Acho que sem dúvida o show de abertura para o Opera Multi Steel foi o melhor em todos os sentidos. Momentos marcantes bons foram centenas, literalmente. Momento marcante ruim foi quando roubaram meu microfone no último show do Madame Satã, em 2.000... isso me magoou e literalmente foi a gota d'água para a parada temporária do DKS.

De Martin- O show do Opera (nota: Opera Multi Steel) foi legal mas acho que fizemos uns 40 shows... Pra cada que ainda lembro sempre tem uma recordação... boa ou ruim. Acho que o K2, último show oficial do Kalte em 2000 junto com os carinhas do Kubricks foi muito legal...

10- Quais os melhores links online para conhecer e ouvir o Der Kalte Stern online?

http://www.last.fm/music/Der+Kalte+Stern e

http://fiberonline.uol.com.br/artista.php?id=35

Foto: grupo Bella Noite

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