Veja também Dandelion Wine no ABC de Bandas
DANDELION
WINE- "Suave e Embriagante"
Assim como no romance de 1957 escrito por Ray Bradbury, onde o vinho feito com pétalas de Dandelion (Dente-de-Leão ou Quartilho) representava os bons momentos do Verão envasados em frasco único; este duo australiano de Melbourne usa virtuosismo e invulgares instrumentos para produzir sonhos, paisagens e texturas envasadas em música de qualidade ímpar, a qual poderá ser degustada em alguns pontos da Europa na primavera que já desabrocha.
Faça-nos
um pequeno resumo destes 10 anos de história?
Dandelion Wine começou com o alinhamento básico da maioria das
bandas tradicionais; porém com inserções de flauta e dulcimer.
Com o passar dos anos e com a mudança constante dos integrantes, passamos
a usar, cada vez mais, diferentes instrumentos acústicos e electrónica.
Desta forma nossa música tornou-se progressivamente mais obscura, ambiental
e etérea. Já editamos 3 álbuns e nos preparamos para a
terceira excursão pela Europa.
Explique
aos leitores o que é "Ethereal Post-Dreampop with Medieval Overtones";
ou ainda a bela música que produzem?
Descrever a música é sempre difícil. Especialmente quando
não existe nenhum género, nome ou espaço nas caixas da
Indústria musical para aquilo que fazemos. Basicamente combinamos vocais
femininos do Etéreo, instrumentos acústicos, batidas electrónicas
e guitarra (com muitos efeitos). O resultado é uma música com
muitas camadas e texturas; frequentemente bem subtil e lírica, mas também
com passagens poderosas e intensas.
Vossa rica
sonoridade e construída por ampla gama de instrumentos. Fale nos sobre
isso?
Usamos diversos instrumentos acústicos diferentes; os principais são
o "Appalachian dulcimer", "hammered dulcimer", alaúde
e flauta renascentista, mas também o saltério curvado, percussão
africana e do Oriente Médio e naturalmente algumas guitarras acústicas.
Na verdade, tudo que possamos colocar as mãos e explorar o som!
O que vocês
pensam quando os comparam a Dead Can Dance? Para aqueles que não os conhecem,
que outras referências musicais poderiam ser utilizadas?
As comparações a Dead Can Dance devem-se principalmente ao uso
do dulcimer, já que, para muitas pessoas, a sonoridade desse instrumento
relaciona-se a Lisa Gerrard; logo é natural fazer a associação
quando ouvem Dandelion Wine. Apesar de não ser uma má comparação,
nossa música possui batidas e elementos diferentes dos deles. Outras
bandas que poderiam ser referenciadas são: Sonic Youth, Massive Attack,
My Bloody Valentine, Lamb, Black Tape for a Blue Girl, The Third and the Mortal,
Radiohead e Cranes.
Fala nos
sobre o novo álbum, lançado pela Black Rain/Ars Musica Diffundere?
"~An Inexact Science~" levou um longo tempo para ser gravado por diversos
contratempos. Em materiais anteriores nós sabíamos exactamente
o que faríamos antes de ir ao estúdio, mas dessa vez tivemos que
experimentar tudo enquanto gravávamos. Sem surpresas, os resultados estão
mais texturizados e intrincados do que os anteriores. Após a edição
de "Light Streaming Down" em 2002 (reeditado por estar fora de catálogo),
Gerald da Black Rain nos contactou para falar do próximo álbum.
Com todo o atraso das gravações, pensávamos que ele não
estaria mais interessado, felizmente estávamos enganados e assim o álbum
foi editado por esta editora alemã. Nós acabamos por escrever
alguns temas que não couberam no CD, estes são mais directos e
dançáveis com batidas fortes e muitos instrumentos medievais,
os quais pretendemos lançar em breve num MCD.
Dandelion
Wine estará em digressão internacional de Março a Maio.
Que países receberão os vossos concertos? Trarão todos
os instrumentos nesta viagem?
Estaremos no Japão, Alemanha, Polónia, Republica Checa, Holanda,
Bélgica, Suiça e provavelmente em Portugal, França e Reino
Unido. Nós amaríamos levar todos os instrumentos, porém
é impossível, por questões técnicas e excesso de
bagagens. Desta forma, levaremos o "Appalachian dulcimer", flauta,
guitarra, sintetizador, "sampler" e talvez alguma percussão.
Tornamo-nos peritos em preparar o que podemos levar num avião e ainda
assim fazer uma interessante performance.
O que o público
pode esperar das 2 possíveis datas em Portugal?
Estamos ansiosos, pois já queríamos ir a Portugal desde nossa
1ª tour. Nossas apresentações às vezes surpreendem;
já que costumamos ser mais fortes e enérgicos do que se espera.
Há bandas de Etéreo que permanece no palco a cantar, mas nós
colocamos mais energia nisso!
E o que esperam
das apresentações por aqui?
Não sabemos o que esperar de Portugal
mas ouvimos boas coisas sobre
o país e todos os Portugueses que tivemos contacto foram realmente agradáveis,
o que já é um óptimo sinal! Vimos fotos de belas paisagens
e sabemos que há alguns castelos e isto é algo que gostamos e
esperamos ter tempo para conhecer.
Como é
o cenário alternativo na Austrália?
Melbourne tem uma cena musical muito grande e sempre há bandas a se apresentarem.
Nós fazemos muitos shows com Ikon, Brillig e também com bandas
Indie, Post-Rock e Folk. Houve um tempo em que aconteciam muitos concertos em
clubes góticos, mas actualmente os espaços só usam Djs;
desta forma tendemos a organizar nossas apresentações em lugares
independentes e clubes alternativos onde gostamos de actuar.
Será
o vinho de dandelion tão bom quanto os vinhos portugueses?
Não posso esperar para provar bons vinhos portugueses! As comidas e bebidas
locais são das melhores coisas durante uma digressão. Assim convidamos
a todos para beber connosco após o concerto.
Matéria:
Luiz Soncini
Publicada: Elegy Ibérica Magazine nº 7 (Apr 2007)
Fotos:
* DandelionWine_lute_colour300: Colin Page
* Demais fotos - Ao Vivo WGT 2007 e 2008: Luiz Soncini
(montagem Gothic Station)