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COLLECTION D'ARNELL ANDREA- "Colecção de Sentimentos"

Uma das mais tradicionais, míticas, longínquas e respeitadas bandas dentro da Dark Wave Mundial, este excepcional colectivo francês recentemente presenteou-nos com sua oitava produção, "Exposition/Eaux-Fortes et Méandres". Os CDAA esbanjam lirismo, sensibilidade, romantismo e conseguem representar como ninguém a simplicidade da Natureza e os dias de Outono que tanto veneram.

Em 1986; Jean-Christophe d´Arnell, Pascal Andrea e Chloé St Liphard decidiram dar forma ao projecto; conceituado na fusão de poesia e elementos minimalistas, a destacar sempre a relevância dos vocais e a harmonia das teclas e violoncelo. Um outro aspecto preponderante era a reunião de diversas pessoas e influências musicais, geradora de uma atmosfera peculiar, carregada de lembranças nostálgicas e compreensível para qualquer ouvinte, numa espécie de linguagem emotiva mundial. O nome sugere esta "Colecção de Sentimentos - Collection", que se funde aos dois nomes: "Arnell" e "Andrea", referentes aos seus fundadores; apesar de Pascal ter deixado a banda mesmo antes da primeira apresentação, "The Apartments".

Em 1988 chamaram a atenção dos ingleses da Valotte Records e editaram o denso 12" de 4 temas, "Autumn 's breath for Anton's death", actualmente raríssimo. De 1989 a 1994 estiveram sobre a chancela da francesa New Rose, por onde lançaram 4 LPs; os quais foram prensados em CD pela Last Call.
Influenciados pelo cinema francês, pela arte em geral do inicio do século e principalmente pela intensidade do Outono; lançam em 1989 o internacionalmente aclamado "Un Automne à Loroy".

Cada vez mais respeitados e caracterizados pela primorosa voz de Chloé, o cello, singularidade da mescla perfeita de texturas simples, sinfónicas bem como um simbolismo poético intrínseco na lírica; tudo a despertar sublimes paisagens e antigas memórias, já há muito perdidas nas manhãs enevoadas. Dessa forma, no Outono de 1990, chega as lojas "Au Val des Roses", álbum de 8 temas que fixa o estilo próprio dos Collection D´Arnell Andrea.
1992 é o ano do maravilhoso "Les Marronniers", com ambiências clássicas e pulsar emotivo desde os segundos iniciais, ornado sobremaneira pela beleza das cordas, do piano e etéreos vocais. Deste trabalho destaca-se um dos maiores êxitos da banda "Anton´s Mind´s Getting Blind", dedicada ao poeta e actor francês Antonin Artaud, que foi confinado num manicómio.

Em 1993 estiveram presentes na segunda edição do Wave Gotik Treffen.
Provavelmente o melhor álbum foi o editado em 1994. "Villers-Aux-Vents (Février 1916)" penetra profundamente no Universo da 1ª Grande Guerra Mundial (1914-1918). Há representações líricas e ilustrativas, que buscam retratar os sentimentos humanos, os "relatos" da Natureza durante a guerra, a violência de facto e a tristeza das paisagens destruídas. Deste CD se extrai um outro grande tema, "L´Aulne et La Mort".

Para os CDAA a música não pode ser restrita e estática. É notável a absorção de aspectos da música popular, clássica, gótica, industrial e principalmente lírica. Relembrando a concepção inicial, esta incrível fluidez é devida a qualidade e quantidade de músicos envolvidos na comunidade. Sem menosprezo a nenhum dos brilhantes nomes que já actuaram pela banda, actualmente os CDAA são compostos, para além de Jean e Chloé; por Carine Grieg (Gantök, Opera Multi Steel e O Quam Tristis…), Franz Torrès-Quévédo (Opera Multi Steel, O Quam Tristis…, Thy Violent Vanities e The 3 Cold Men), Thibault d´Aboville (Gantök), Xavier Gaschignard e Vincent Magnien.

Focado nas lembranças da infância, surge, em 1996, "Cirses des Champs", o trabalho mais campestre e pastoral.
Com sucesso e reconhecimento alcançado da China ao Brasil, uma espécie de primeira fase dos Collection D´Arnell Andrea finda com estes 5 álbuns poéticos e eternos, os quais são ainda mais imortalizados pela compilação dupla "CollAGE" (Last Call/1998) e pelas reedições remasterizadas e enriquecidas por músicas extras e vídeos (de 3 destes CDs), já pelas mãos da actual editora, a francesa Prikosnovénie, para alguns o marco inicial desta não menos brilhante segunda e presente fase do projecto.

O primeiro de inéditas pela nova editora é "Tristesse des Mânes" (2002), que traz 14 temas incutidos no espírito gálico do século XIX. Sereno, experimental, com composições neoclássicas e poética comovente evocada pela romântica e etérea voz de Chloé.

Indubitavelmente, "The Bower of Despair " (2004) é o mais obscuro e gótico, inclusive pela arte do CD. Há nele muita melancolia e pensamentos humanos da proximidade do fim, externados em sonoridades poderosas e pesadas, não comummente vista nos trabalhos de CDAA, não deixando contudo de ser um óptimo trabalho.
Surpreendentes e dinâmicos como sempre, cada nova produção ruma para diferentes estéticas, estilos e temáticas; como é o caso do recente "Exposition/Eaux-Fortes et Méandres", inspirado em 11 quadros ou desenhos de artistas, em sua grande parte das épocas Simbolista e Pré-Rafaelista (As pinturas estão disponíveis no "website" da editora). Um CD forte e ecléctico, com arranjos mais electrónicos e ritmos modernos, porém sem prescindir dos vocais apaixonantes, melodias encantadoras e texturas orquestradas; tudo a resultar em mais uma peça para a composição da obra completa destes mestres da sensibilidade musical.

Esta é uma verdadeira família, com extenso nome e longa história; considerada como autêntica lenda viva e para a qual desejamos uma infinita sobrevivência e continuamos a sonhar em presenciar, um de seus raros e concorridos concertos, seja em terras Ibéricas ou em qualquer outro ponto do Planeta.

Matéria: Luiz Soncini
Publicada: Elegy Ibérica Magazine nº 8 (Ago 2007)
Fotos: Noémie Ventura


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